Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
Início Outros Percursos MARIA DE SOUSA

755 ms2

 

 

A CIENTISTA MARIA DE SOUSA, AO SABER QUE ESTAVA INFECTADA COM COVID-19 E CONSCIENTE DA SUA SITUAÇÃO DE ALTO RISCO, DESPEDIU-SE COM AS SEGUINTES PALAVRAS:

 

 

Espero perdurar por via dos que ficam vivos

 

 

Por mais dolorosa e triste que seja a morte, a vida tal como a conhecemos na Terra é infinita. As novas gerações sucedem-se ciclicamente e cabe sempre a elas a construção do nosso futuro colectivo.


Faz parte de ser jovem estar convencido de que vamos ser capazes de mudar o mundo para melhor.

Eu já não sou cronologicamente jovem, mas continuo a acreditar num cenário optimista para o futuro da humanidade!

É preciso coragem para mudar, sobretudo quando o nosso estilo de vida actual é tão confortável.

No entanto, as evidências científicas são irrefutáveis: a exploração que o homem está a fazer da natureza é insustentável.


Vivemos obcecados pelo crescimento económico, mas não é possível que as economias de todos os países continuem a crescer indefinidamente. Considero fundamental que os jovens de hoje se consciencializem dos inevitáveis riscos a curto prazo e façam ouvir a sua voz, pressionando a sociedade para a mudança.


Acredito que a ciência e a tecnologia vão tornar-se ainda mais essenciais nas nossas vidas. Precisamos de observações e medições rigorosas de tudo o que se passa em todos os locais do planeta para estarmos alerta e sabermos onde actuar. Mas acima de tudo precisamos de novas soluções para viver em harmonia com a Terra, desde novas formas de nos deslocarmos a novas formas de nos alimentarmos e reciclarmos o lixo que produzimos. Novas soluções para um problema não surgem de repente a partir do nada. São necessários anos de intensa investigação científica, e muitos problemas estão ainda por resolver.


Por exemplo, a propósito da actual pandemia, importa lembrar que entre 1918 e 1919 ocorreu um surto de infecção causada por um novo vírus da gripe que matou cerca de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Já se usavam máscaras de protecção, desinfectantes e distanciamento social, mas não havia testes de diagnóstico, nem medicamentos, nem ventiladores. A 1ª vacina para a gripe foi desenvolvida em 1940 e aplicada apenas em militares. Só em 1960, após uma pandemia causada por um novo vírus da gripe que entre 1957 e 1958 matou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, iniciaram-se os programas de vacinação para grupos de risco (isto é, pessoas com doenças crónicas ou com mais de 65 anos). Uma vacina confere imunidade contra um tipo específico de vírus. Ora, o vírus da gripe altera com muita frequência a sua informação genética, dando origem a novas formas de vírus que escapam ao efeito da vacina. Esta diversidade genética dá também origem, ocasionalmente, a formas de vírus mais agressivas que causam pandemias. Foi o que voltou a acontecer em 1968, com mais de um milhão de mortes em todo o mundo, e apenas há dez anos, em 2009, causando a morte de cerca de 600 mil pessoas a nível mundial. Porque a capacidade de se reinventar geneticamente é uma característica de todos os vírus, a humanidade sempre esteve e vai continuar a estar sujeita a surtos de infecção por novos vírus. Foi o caso do VIH – vírus da imunodeficiência humana, causador da sida. Esta nova doença começou a ser detectada em 1981 nos EUA e já matou 32 milhões de pessoas no mundo. Em 1994, a sida era, nos EUA, a principal causa de morte de pessoas entre os 25 e os 44 anos. Só em 1995 começaram a ser ensaiados os primeiros medicamentos que viriam a ter um grande sucesso, evitando as mortes e transformando a sida numa doença crónica.


Mais recentemente, em 2003, foram reportados na China os 1ºs casos duma nova doença respiratória denominada SARS, causada por um coronavírus parente do actual SARS-CoV-2. Em plena pandemia, a sociedade pede muito aos cientistas medicamentos e vacinas eficazes.


Que lições tirar para o futuro? Acima de tudo, as novas gerações têm de estar conscientes de que vão ser confrontadas com grandes desafios. A falta de respeito pelos animais selvagens, vítimas de captura e comercialização, favorece a infeção humana por novos vírus (ou outros micro-organismos patogénicos) que poderão causar mortalidades bem mais altas do que a actual pandemia. Muitos modelos ainda praticados na indústria agropecuária incentivam a destruição de florestas, interferem com a qualidade dos solos, são poluidores e favorecem a propagação de epidemias em plantas e animais. Vão certamente ocorrer grandes desastres naturais como fogos, tempestades e terramotos. As alterações climáticas são uma realidade instalada. Vai faltar a água e aumentar a poluição. As sociedades do futuro vão depender da ciência e da tecnologia para lidar com catástrofes. Mas as sociedades de hoje insistem em ignorar os múltiplos alertas dos cientistas para perigos eminentes que ainda podem ser evitados.


Por isso, deixo aqui o meu apelo às novas gerações para acabarem de vez com a ilusão de que vai ser possível continuar a viver com os hábitos de hoje e a fazer os negócios do costume. O meu outro apelo é para valorizarem e cultivarem a ciência. Todos os jovens, independentemente das suas profissões futuras, devem ser treinados a aplicar o método científico nos problemas com que se deparam no dia-a-dia. Rigor na observação, raciocínio lógico nas deduções, conclusões baseadas em experimentação. Em paralelo, as profissões ligadas à ciência têm de ser atractivas e apetecíveis. Tal implica organização, infraestrutura e recursos em permanente actualização.


Finalmente, um alerta: todas as áreas do saber são igualmente importantes. Os avanços tecnológicos mais transformativos resultaram de descobertas que podiam, à primeira vista, parecer irrelevantes. Para o avanço da ciência não há temas de investigação inúteis, desde que as perguntas sejam bem formuladas.


E a ciência não pode deixar de avançar, sob pena de não sermos capazes de resolver os imensos desafios com que nos vamos deparar!

 

Maria de Sousa

 

 

7551514

Mário Avelar, Maria de Sousa, Carlos Carreiras e Salvato Teles de Menezes na Apresentação do projecto para a Casa Reynaldo dos Santos no Centro Cultural de Cascais em Julho de 2017

 

O CONSELHO DIRECTIVO DA FUNDAÇÃO D. LUÍS I JUNTA-SE AO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, CARLOS CARREIRAS, NO PROFUNDO PESAR PELO DESAPARECIMENTO DA SUA CONSELHEIRA E AMIGA PROF. EMÉRITA MARIA DE SOUSA, SEM CUJA COLABORAÇÃO EMPENHADA NÃO TERIA SIDO POSSÍVEL LANÇAR E DESENVOLVER O PROJECTO DO CENTRO DE ESTUDOS DAS RELAÇÕES ENTRE ARTE E CIÊNCIA QUE, NUM FUTURO PRÓXIMO, FICARÁ SEDEADO NA CASA REYNALDO DOS SANTOS E IRENE QUILHÓ DOS SANTOS, NA PAREDE.

 

Maria de Sousa (1939-2020)


Morreu esta noite a professora emérita Maria de Sousa, imunologista cuja investigação sobre os linfócitos feita quando estava em Londres, nos Laboratórios de Biologia Experimental de Mill Hill, figura em todos os trabalhos publicados sobre essa importante área do conhecimento médico-científico, e o seu desaparecimento é, para mim, motivo de extraordinário pesar.


Conheci a Profª Maria de Sousa há alguns anos devido ao seu envolvimento no projecto de criação de um Centro de Estudo das Relações entre Arte e Ciência, um tema que lhe era caro, na Casa Reynaldo dos Santos e Irene Quilhó dos Santos, e nasceu de imediato entre nós uma estima pessoal que transcendeu qualquer tipo de formalismo. Sempre que nos encontrámos para analisar a evolução do projecto, que seria (e será) realizado em parceria com a Fundação D. Luís I, entidade municipal da qual Maria de Sousa é membro do Conselho da Fundação, pude perceber a firmeza de carácter, a dedicação às causas que tanto acalentava e a sua grande disponibilidade para colaborar com a Câmara Municipal de Cascais, já manifestada, aliás, de forma inequívoca, na doação que fez e está, muito justamente, guardada no referido equipamento municipal sito na freguesia da Parede, prestes a ser sujeito ao início dos trabalhos de adaptação definidos, agora que estão concluídos todos os procedimentos administrativos indispensáveis.


Quero, portanto, reiterar os meus sinceros votos de pesar por esta perda para a Ciência e a Cultura portuguesas, bem como para o projecto que temos entre mãos e que prosseguirá até ser uma realidade que se tornará a nossa forma de homenagear a memória de quem tanto carinho e apreço mostrou pelo nosso Concelho.


Cascais e eu próprio perdemos uma Amiga.


Carlos Carreiras
Presidente da Câmara Municipal de Cascais

 


 

 

Agenda

<<  Julho 2020  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
    1  2  3  4  5
  6  7  8  9101112
13141516171819
20212223242526
2728293031