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ANA HATHERLY

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ANA HATHERLY

 

Programabilidade e Criação

 


CENTRO CULTURAL DE CASCAIS, 4 OUTUBRO A 1 DEZEMBRO 2019 

 

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"fujo da minha casa de Lisboa (...) para ir para o meu atelier em Cascais
onde ninguém me fala, ninguém me vê".

 

 

Ana Hatherly é um nome ímpar na cultura e na arte Portuguesas. Trabalhou incansavelmente como artista plástica, poeta, ensaísta, tradutora e professora, e enveredou também pela música, pelo cinema e pelas artes performativas. Uma parte significativa do seu trabalho criativo desenvolveu-se em Cascais, onde teve o seu atelier. Aí, nesse espaço onde "ninguém me vê", pôde a artista ser um pouco como "o homem invisível", filme de 1933 realizado por James Whale, baseado no romance homónimo de H. G. Wells, que marcou Hatherly indelevelmente e que funciona como metáfora da artista que se oculta na obra, porque a arte é opacidade.


O tema "Programabilidade e Criação" pretende interrogar o conceito de programa, explorado em termos teóricos e práticos na obra literária e plástica de Ana Hatherly, através de um conjunto de desenhos que evidenciam a importância do recurso a constrangimentos na criação. Os constrangimentos são restrições determinadas pela autora e a sua descoberta é parte integrante do jogo artístico: as experiências de produção e fruição estética em objectos marcados pela noção de programabilidade centram-se por isso mais nos próprios processos do que nas formas finais. Assim, e na medida em que todo o programa criativo é produtor e aberto, a obra é uma máquina geradora de novos objectos e de novas leituras, e um programa torna-se um mecanismo de produção de sentido.


A exploração criativa de procedimentos programáticos inscreve-se numa lógica auto-referencial que resulta da consciência dos objectos enquanto matéria organizada, composta por elementos e pelas suas relações formais e retóricas, relações essas que a autora manipula e das quais extrai uma fórmula. Esta é uma estética anti-romântica e anti-expressiva, que substitui a expressão da subjectividade pelo paradigma do algoritmo que condensa, como um corolário, uma teoria da obra. Ana Hatherly desenvolve experiências sobre a programabilidade através de procedimentos de desconstrução e de resposta a diferentes motes, através de séries de exercícios que expandem e testam os modelos de produção estética. A sua obra representa uma reflexão acerca dos mecanismos expressivos dos meios verbais e visuais, explorando a sua gramática e os seus aspectos plásticos de um modo sistemático, em função das instruções enunciadas no programa.


Na obra de Ana Hatherly, as variações em torno de um programa permitem evidenciar, pelo menos, três aspectos: por um lado, o estreito diálogo que a sua obra estabelece com a arte Medieval, Renascentista e, sobretudo, Barroca, focando a atenção na lógica formalizável das regras de repetição e variação que definem aquelas práticas e colocando a experimentação das décadas de 1960 e 1970 numa profunda relação com toda a tradição literária. Por outro lado, demonstra como os exercícios de variação propostos podem ser formalizados algoritmicamente e segundo regras explícitas. Por último, a multiplicação dos procedimentos de variação demonstra que alguns destes procedimentos não são formalizáveis, já que muitas variações têm de ser produzidas de um modo que não é pré-determinado mas que resulta de um processo emergente, envolvendo a consciência da artista que reflecte sobre o seu acto de criação, excedendo o seu próprio programa. Deste modo, a programabilidade permite compreender a gramática mas também a singularidade não-gramaticalizável que se manifesta no acto de criação.

 

 

 


Ana Marques é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Franceses – com especialização em Tradução, e concluiu o mestrado em Ensino de Português e Francês nos Ensinos Básico e Secundário pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a defesa da dissertação «A Poesia no Ensino das Línguas». Com um percurso diversificado, dedicou-se ao teatro e às artes plásticas, e trabalhou como jornalista, programadora cultural e professora do ensino secundário. Foi bolseira da FCT no Programa de doutoramento em Materialidades da Literatura, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (2013-17), no âmbito do qual, entre outras atividades, participou como co curadora na organização de duas exposições de literatura eletrónica ("Language and the Interface", no contexto do Colóquio Internacional Digital Literary Studies, em Maio de 2015, na FLUC; e "Translations", no contexto da Conferência Internacional da Electronic Literature Organization, em Julho de 2017, no Convento de São Bento da Vitória, Porto). Os seus interesses centram-se sobretudo em questões de teoria da literatura, linguagem e cultura digital.

 

 

 

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