Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
SANDRA SEQUEIRA

755 SEQUEIRA

 

 

Apesar de toda a gente usar a expressão "linha do horizonte", sempre soubemos que ali não existe linha alguma. Abismo, vazio, catástrofe, talvez. O modelo do nosso conceito de "linha de horizonte" é o recorte último do mar contra o céu azul. E alguma coisa de impreciso marca esse fim. É o lugar onde, a oriente, nascem o sol, a lua e os astros, e a ocidente onde tudo isso desaparece. "Horizonte", em grego antigo, (horizon-horizontos) significa apenas "limite", "fim". Por isso, "definição" diz-se "horismos". A filosofia nasce na Grécia porque é uma civilização fundada na experiência permanente do horizonte longínquo e na força do limite próximo do recorte da costa. Os gregos perceberam que há sempre um momento, na experiência de pensar, que exige uma definição, que apela a uma diferenciação entre conceitos, entre significados. E essa definição procura ter como fundamento último a garantia de um grau zero do sentido, um plano que origina todos os planos.


Na história da perspectiva ocidental, a linha do horizonte foi a primeira linha a ser inventada. Todas as outras linhas, com os seus pontos de fuga, representavam variações de ângulos medidos em relação ao grau zero do horizonte. Compreende-se que a linha do horizonte tenha sido também a primeira a ser sacrificada no momento de destruir a lógica da figuração. Kandinsky não se limitou a inverter a relação alto/baixo da sua primeira tela abstracta. Ele apagou o meridiano do olhar ao colocar todas as formas sobre um único plano. E desde então a arte ocidental oscila entre linhas de horizonte obscenas, e planos infinitos sobrepostos em regime de estratos geológicos. Entre Dali e Mondrian, entre Hockney e Rothko trata-se quase de um combate de Titans em torno do horizonte.


Sandra Sequeira inventou-se no interior desse combate. Cada obra sua é um grito paradoxal. Contém a mais tocante nostalgia do horizonte e a mais intensa recusa de todas as linhas. Nas mil e uma variações sobre a força de gravidade que se exerce sobre as texturas delicadamente aplicadas sobre o tecido de uma tela, e onde o movimento horizontal do pincel condescende com a verticalidade do peso das matérias, o resultado parece aleatório. Tendemos a descobrir pequenas bolhas de acaso escondidas nas grandes manchas monotónicas dos seus quadros. E, no entanto, o que sustenta a força da horizontalidade das suas texturas é um verdadeiro manifesto a favor do horizonte. Mas de um horizonte sem linhas nem pontos de fuga. Um horizonte puro, absoluto. Ao mesmo tempo infinitamente longínquo e tão próximo que apetece tocar com a ponta dos dedos. Diante das telas de Sandra Sequeira voltamos a ser gregos. Recordamos a espuma do mar na praia e a imensidão dos oceanos no ponto em que se transformam em céu.


Nuno Nabais
Director da Fábrica do Braço de Prata

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Sandra Sequeira é uma pintora portuguesa com um vasto percurso nesta área. Contando já com mais de quarenta exposições individuais e coletivas, representada em inúmeras coleções publicas e privadas, é já uma referência na pintura portuguesa.
O seu trabalho reflete a sua recusa pela complexidade e aprofunda um conteúdo intensificado pela ausência numa consistente obra plástica, onde jogos de equilibrio e de força evoluem por caminhos perversos, em que a massa se reinventa e decompõe numa fusão de texturas, absorventes transparências e brilhos contraditórios.
É na fase do pré-conceito, onde o processo de criação é livre de preconceito inerente ao conceito, que a artista assenta a base do seu trabalho.
"Go With the Flow" é uma exposição sobre o poder do tempo sobre as coisas; sobre nós; como as altera, como nos transforma.
Sobre as pequenas coisas; sobre a intensidade com que as vivemos.
Sobre a vida vivida para viver.

 

 

 

 

 

 

Agenda

<<  Agosto 2019  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
     1  2  3  4
  5  6  7  8  91011
12131415161718
19202122232425
262728293031