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755 ARTEMAR 2019

 

 

artemar 9ª EDIÇÃO 2019


PAREDÃO DO ESTORIL [Cascais], 25 MAIO A 23 JUNHO

 

A Exposição Artemar, uma das iniciativas que solidificaram no panorama das ações culturais da Câmara Municipal de Cascais/Fundação D. Luís I e a que a população maior grau de apreço concede, regressa este ano com novos artistas e trabalhos. Uma vez mais o Passeio Marítimo é palco de uma manifestação artística de grande relevância, dadas as características das peças exibidas, que remetem para a defesa do mar. Comissariada por Luisa Soares de Oliveira

 

755 ARTEMAR 2019

 

 

 

F R O N T E I R A S   L Í Q U I D A S


 

O projecto Artemar regressa ao paredão do Estoril. Manteve-se este ano o formato das últimas edições, ou seja, uma exposição realizada no início da época balnear, resultado de convites pessoais a um número reduzido de artistas. Contudo, pediu-se desta vez aos artistas que reflectissem e trabalhassem sobre o conceito de "fronteira líquida". Os resultados, na sua diversidade, excederam em muito todas as expectativas que se poderiam ter imaginado.


O que é uma fronteira? No seu mais elementar sentido, constitui um limite convencional entre dois territórios ou países. Trata-se de uma palavra que surge na topografia, na delimitação de soberanias, no desenho de mapas geográficos e geopolíticos. Pode, evidentemente, ser utilizada no sentido metafórico, mas nunca perderá, nessas circunstâncias, a sua denotação primeira: a fronteira institui um corte, uma barreira nunca facilmente ultrapassável entre o aquém e o além. Por vezes, como a história nos tem demonstrado tão bem em tempos recentes, esse limite quer-se imutável, eterno, fechado, elevado, e mesmo, infelizmente, entre um "nós" e um "outrem". Dito de outra forma, físico, matérico, intransponível, eterno.


Contudo, uma fronteira líquida parece contrariar estes pressupostos. A matéria em estado líquido adequa-se a qualquer forma, o que significa também que não possui a estabilidade visível que habitualmente associamos à palavra fronteira. E, contudo, as fronteiras encontram-se com frequência sobre a água, quer se trate do mar, de um rio ou de um lago. Estas fronteires geográficas e políticas não se materializam em cancelas ou barreiras, mas sim na própria acção dos homens, tanto aqueles que as vigiam (que as defendem) como dos outros que as pretendem passar. Temos hoje bem presentes as imagens de refugiados que tentam atravessar o Mediterrâneo, essa fronteira mítica que existe desde a Antiguidade, e dos dramas que elas revelam ou encobrem. Em todas elas, a fisicalidade da fronteira é concretizada num elemento sólido: balsa, fragata ou praia. É sempre aqui que a fronteira, o limite inultrapassável (ou não) se revela.


Contudo, estamos no Estoril, no paredão das praias da Costa do Sol que nesta altura se enchem de veraneantes à procura de lazer e bom tempo. O paredão, na sua fisicalidade que é também parte da paisagem, é ele próprio um limite onde as obras realizadas pelos artistas participantes se misturam com o quotidiano do público, fazendo parte do seu dia-a-dia, acrescentando sentidos múltiplos à sua passagem pelo local. É certo que um paredão, este muro que é também passeio, partilha diversas características com a fronteira: é um local de passagem e não de permanência; é uma via divisória entre a terra e a praia (também ela local de passagem e nunca de morada permanente); é, enfim, um não-lugar no sentido antropológico, já que a sua vivência é diversa e distinta consoante o seu utilizador seja o transeunte flâneur, aquele que aqui trabalha ou ainda o artista que elege precisamente tal lugar e não outro para expor o seu projecto. De todos os artistas presentes nesta edição de 2019, Carlos Menino e Teresa Braula Reis escolheram precisamente a apropriação de características práticas do lugar: o primeiro, com uma peça feita de elementos de madeira que perfazem exactamente o comprimento do Paredão, e a segunda, com uma derivação sobre elementos de design urbano em diferentes materiais e dimensões. Carlos No, por seu lado, numa abordagem mais ligada à actualidade política, criou Sirocco, uma declinação da imagem mais comum da fronteira, a cancela, associada ao nome de um vento quente que sopra desde o Saara até ao sul da Europa. Cecília Costa por fim, apresenta-nos uma acção performativa e efémera que é também uma ultrapassagem real e simbólica de todas as fronteiras: a da gravidade para a leveza, a da terra para o mar.

 

Luísa Soares de Oliveira

 

O conceito de "fronteira líquida" foi também recentemente explorado pela escultora Maria José Oliveira,
embora com conotações diferentes daquelas que aqui desenvolvemos.
 
 
 
 
 
 
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Carlos Menino


 

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1:100 Pensar pelas margens: limiar, a fronteira, o lugar-entre, 2019
Madeira, aço inox, vidro temperado e óleo de linhaça | 2.6mx2.6x2.1m (X 2)

 

 

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1:100 Pensar pelas margens: limiar, a fronteira, o lugar-entre.

No âmbito da Geografia, bem como em outras áreas do conhecimento, existem dois termos amplamente utilizados que são frequentemente considerados como sinônimos no senso comum: os conceitos de limite e fronteira. No entanto, trata-se de expressões que possuem significados diferentes e expressam, portanto, dinâmicas territoriais e sociais distintas entre si.
A diferença entre limite e fronteira está no grau de abrangência de cada um desses termos, além do grau de dinamismo que um apresenta em relação ao outro.
O conceito de limite relaciona-se com a ideia de divisão, a que muitos imaginam pertencer à ideia de fronteira, o que não é correto. O limite é a divisão entre uma unidade territorial e outra, geralmente entre dois países. A ideia desse conceito remonta à constituição do Estado moderno e sua necessidade de determinar com total precisão os pontos do território sobre o qual ele exerce sua soberania, incluindo entre outros, os seus valores constitutivos, idiomas, moeda.
Por outro lado, o conceito de fronteira é mais dinâmico e designa uma frente de expansão ou uma zona de inter-relações entre os diferentes meios, que podem ou não ser territórios diferentes. Ao contrário de limite, que é uma noção mais exata e fixada juridicamente, as fronteiras são mais fluidas e há mais comunicação e interação.

2...

Entre São João do Estoril e Cascais, o percurso pedestre é de aproximadamente 3 km de extensão.
116 barrotes x 260cm = 302 - Para uma representação à escala 1:100.
3000 metros é o cumprimento de costa entre São João do Estoril e Cascais, 302 é a redução à 1:100 dessa escala.
3000 metros de limite entre terra e mar, a fronteira entre o meio líquido e o meio sólido. A linha, o lugar-entre um e o outro.
A transposição de uma linha que é imaginária e materializar a mesma no empilhamento dos seus segmentos em dois grandes blocos, criando assim uma relação com o que é próprio ao campo da arquitetura e que tem de ver com o diálogo sensorial em relação ao corpo humano, à peça e ao espaço envolvente.
A capacidade de operar um espaço através de processos de inclinação e equilíbrio, recorrendo ao vidro e do seu reflexo para devolver a imagem ao visitante, uma imagem que é transportada de um lugar para outro lugar. Uma linha do horizonte bem com a separação entre a terra e o mar para ser devolvida de uma outra forma e sobre um novo dispositivo. A representação dessa fronteira acontece simultaneamente em dois planos que refletem com duas perspetivas diferentes.
Uma imagem vista de duas perspetivas diferentes: os dois elementos tornaram-se suportes de reflexos, que empregam o vidro para desconstruir e desestabilizar o espaço envolvente. O vidro funciona como um espelho na produção de duplos e de multiplicação de planos que alteram a perceção do espaço. Desde a capacidade de capturar e refletir a luz, os vidros incorporam também os espectadores na própria escultura e multiplicam as perspetivas que podem ser percecionadas, permitindo explorar novas relações com o espaço.

 

CarlosMenino Pré-Visualização755

 

Carlos Menino - Nasceu em Leiria em 1986. Vive e trabalho entre Caldas da Rainha e Leiria.

Licenciado e Mestre em Artes Plásticas, pela Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha

O objetivo do seu trabalho plástico desenvolve-se através de uma auscultação de formas e imagens que o rodeiam,

que se inscrevem numa memória coletiva. A natureza do seu processo criativo assenta na apropriação, modificação

e transformação de objetos e imagens que existiram "noutras" realidades/ quotidianos, transportando-os

e experimentando-os no contexto da arte contemporânea. Reconstruir o que já está feito. Uma nova proposta a nossa realidade.

Ao transportar um objeto ou imagem, não artístico, que teve uma utilização no passado e reconstrui-la com premissas que pretendem integrar

a arte contemporânea, no nosso tempo traduz-se em novas, leituras para o "objeto". No entanto, por muito que este objeto sofra uma alteração

compositiva e conceptual, a não descaracterização total do objeto permite o reconhecimento aludindo à memória do individuo e do coletivo.

 

 

Carlos No


 

755carlos no

Siroco, 2019
Ferro, aço inoxidável lacado e vinil autocolante | 600 x 300 x 250 cm

 

 

"Siroco", título da obra que nos é apresentada por Carlos No (Lisboa 1967), carateriza-se por ser uma cancela constituída por uma base e uma trave com cores e dimensões idênticas a muitas outras que habitualmente encontramos no espaço público como forma de assinalar e delimitar um espaço e/ou um território, sejam eles públicos ou privados, mas em ambos os casos sempre como uma marca de identificação de um limite entre dois espaços que se pretendem distintos e/ou diferentes entre si.

No entanto, e ao contrário do que é habitual para dispositivos idênticos, a "cancela" que Carlos No nos apresenta encontra-se destituída de parte das suas habituais funcionalidades: a sua trave está fixa e levantada, anulando assim uma possível divisão entre dois territórios e permitindo deste modo uma livre, e permanente, circulação entre os mesmos.

À parte destas duas caraterísticas, encontramos ainda outra que a destitui por completo da funcionalidade habitual e pela qual estas cancelas são de imediato reconhecidas: a de que na presente trave, esta encontra-se torcida, desenhando desta forma no ar, um arco que aponta do chão para o céu, criando um movimento ondulatório como se tivesse sido soprada e dobrada pelo vento, um "vento quente e de tempestade", que se desloca de Sul para Norte, e que "é malévolo (...) e não é bom para a saúde", tal como é referido na famosa obra literária de Thomas Mann, "A morte em Veneza".

A sua colocação no Pontão também não é aletória pois este é, normalmente, o primeiro local de receção em terra daqueles que dela se aproximam por mar, sendo, portanto, o primeiro ponto de interceção entre ambos os espaços, podendo ser o primeiro ponto de acolhimento e segurança ou o seu contrário.

Esta obra foi criada especificamente para este evento em Cascais e surgiu através de um convite direto feito ao artista por parte da Fundação D. Luís I e da curadora desta exposição, Luísa Soares de Oliveira.

Embora enquadrada num tema previamente proposto e num espaço expositivo específico para ser apresentada, "Siroco" surge igualmente na sequência de uma linha de pesquisas que Carlos No vem efectuando há vários anos, através das quais o artista procura chamar a atenção para determinados aspectos ou situações do mundo actual, onde procura explorar conceitos como os de Território e Fronteira, Margem ou Exclusão.

 

755 Carlos No - Siroco

 

Carlos No - Nasceu em Lisboa em 1967. Vive e trabalha na Ericeira. Fez o curso de Pintura no AR.CO –

Centro de Arte e Comunicação Visual, 1987-1992, tendo frequentado ainda o curso de escultura em 1987.

Desde 1991 que vem participando em várias exposições coletivas, quer em Portugal quer no estrangeiro,

realizando a primeira exposição individual em 1994. Em 1993 recebeu o 1º prémio de pintura na Feira de

Arte de Portimão e em 1995 foi selecionado para a representação portuguesa à Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo, em Rijeka, na Croácia.

Das suas mais recentes exposições podemos destacar as exposições individuais "Finisterra", no Museu Nogueira da Silva, em Braga;

"Estais", Museu Municipal de Faro, em Faro; "Exílio", na Casa-atelier Vieira da Silva, Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa;

a exposição "Peut-être Demain", na Galerie Elizabeth Couturier, em Lyon; as exposições coletivas "NegOcio" Centro Cultural Las Cigarreras,

Alicante, Espanha e "Sob o Signo de Amadeu. Um Século de Arte", no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian ou ainda

as exposições conjuntas com Pedro Valdez Cardoso – "Ignoto" – no Centro de Artes e no Centro Emmerico Nunes, em Sines, e com Rui Horta Pereira – "Arame" – na Galeria Bangbang, em Lisboa.

Está representado em coleções institucionais em Portugal e em coleções particulares no país, Alemanha, Bélgica,

Brasil, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Macau, México, Países Baixos, República Checa, Suécia e Suíça.

 


Cecília Costa


 

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Gas on Ice, 2019
Gelo, água, seda, balão, hélio | Dimensões variadas

 

 

Gas sobre gelo, ou antes hélio sobre àgua. O confronto do gás volátil de um balão preso à densidade temporária do gelo. Até poderia ser um balão agarrado a uma pedra (que também tem uma densidade temporária, é uma questão de escala de tempo) mas a leitura é a que é possível na escala do nosso tempo. Assim sabemos que o balão se solta dessa densidade temporária antes de o gás se dissipar. O gelo derreter-se-á e o balão subirá. Ficará uma poça de água que, seguindo o seu curso natural, evaporar-se-á juntando assim o seu movimento ao do balão. Balão este que inverte a marcha assim que o hélio perder a sua força . Uma forma (cúbica) para a densidade e outra (esférica) para a volatilidade.

 

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Cecília Costa - Nasceu em Caldas da Rainha (1971), vive e trabalha em Lisboa.
Estudou Matemática na Universidade de Aveiro e Artes Visuais na ESAD - Escola
Superior de Arte e Design - de Caldas da Rainha.
Desde a sua participação na 14ª Bienal de Sidney em 2004 participou em várias
exposições internacionais como por exemplo: Portugal: Algunas fguras, Instituto
Nacional de Belas Artes na Cidade do México; Portugal Today: Nine Solitaire Positions-
Galeria MAM - Viena ; Young Portuguese artists - Galeria MAM , Salszburgo;
Linhas soltas - Fundação Oriente, Goa, Drawings on Paper - India International Centre, Nova Deli
A sua polaridade académica repercurte-se nos seus trabalhos povoando-o de ideias
matemáticas. A sua obra multifacetada desenvolve-se não só através do desenho,
mas também através da fotografia, vídeo e instalação.

 

Teresa Braula Reis


 

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Curved Wall, 2019
Tijolo, cimento, tinta acrílica | 187 x 1600 x 30 cm

 

 

 

 

Projecto Curved Wall

 

Curved Wall reflecte sobre a existência de fronteiras, por vezes imperceptíveis mas não menos reais, com que somos confrontados diariamente. Sejam elas de natureza física, social, cultural até.
O local onde se insere a obra - o Passeio Marítimo de Cascais - é disso um bom exemplo, onde o mar dá lugar à terra, limitado pela estrutura curvilínea do próprio Paredão.
A peça é composta por três paredes curvas, alternando solidez com aberturas e transparências, reflectindo sobre a descontinuidade, dinâmica e fragilidade dessas fronteiras e limites.



 

Curved wall755

 

Teresa Braula Reis - Nasceu em Lisboa em 1990 é licenciada em Pintura na Faculdade de Belas Artes de Lisboa
em 2012 e é Mestre em Fine Art pela Central Saint Martins College of Art and Design de Londres
em 2014. Foi bolseira da University of the Arts London no âmbito do Mestrado. Em 2015 foi
nomeada para o Prémio Novos Artistas da Fundação EDP. Expôs individualmente em Los
Angeles, White Helmet na Baert Gallery, 2017 e em Lisboa, The Pathos of Things na 3+1 Arte
Contemporânea, 2018. Participou em diversas exposições coletivas, das quais se destacam:
Ficção e Fabricação, MAAT, Lisboa e Notes on Objects, Narrative Projects, Londres em 2019;
Variations Portugaises, Centre d'art de Meymac; Escala 1:1, La Principal de Tabacalera, Madrid
em 2018; Em 2017, O Tempo Inscrito - Memória, Hiato e Projeção em Lisboa e Walk & Talk
(escultura permanente) em São Miguel nos Açores; Em 2016, Poetics of Space, 3+1 Arte
Contemporânea em Lisboa; Portugal Portugueses, Museu Afro Brasil em São Paulo e Questions
of Relief, Galeria Vertical do Silo Auto no Porto; Opening Night, Chabah Yelmani Gallery, Bruxelas;
Prémio Novos Artistas Fundação EDP, Museu da Electricidade, Lisboa; Notas sobre a construção
do tempo, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, 2015. Em 2014 RESTATE by Art:i:curate, NEO
Bankside; Live In Your Dreams!, St Pancras Church Crypt Gallery e (Comissão) The Inevitable
Revolution, The Victorian Vitrine, Central Saint Martins, em Londres;
Coleções incluem Fundación Otazu, Navarra; Coleção Figueiredo Ribeiro, Abrantes e Coleção de
Arte Fundação EDP, Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 
 
 
 
 

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