| PINTURA FLAMENGA |
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[Piso 1] 7 de abril a 9 de julho DE RUBENS A VAN DYCK | Pintura Flamenga da Coleção Gerstenmaier
De Rubens a Van Dyck
Pintura Flamenga da Coleção Gerstenmaier,
de abril a julho, no Centro Cultural de Cascais
![]() Joost De Momper o Novo (Anvers, 1564-1635) e Jan Brueghel o Velho dito de Velours (Bruxelas, 1568-Anvers, 1625)
Paisagem de Montanha com Mulas | Sem data | Óleo sobre tela | 75x144 cm
Os grandes mestres flamengos como Rubens, figura central da pintura barroca, o seu discípulo Van Dyck, Brueghel, Van Thielen e Van Kessel, entre outros, ocupam o Centro Cultural de Cascais dando a conhecer pinturas relacionadas com a fé cristã, retratos, naturezas mortas ou temas mitológicos e as notáveis características da pintura flamenga, como o uso de cores vivas e o tratamento especial da luz. Não é todos os dias que se tem acesso a uma coleção centrada na pintura flamenga que inclui obras desde o século XV ao século XVIII. Esta é a oportunidade para ver uma seleção de 30 pinturas e 37 gravuras de artistas flamengos como Rubens, Brueghel, Van Dyck, Van Thielen, Martin de Vos, Van Kessel, entre outros grandes pintores, alguns deles, anónimos ou círculos e seguidores de Anton Van Dyck ou de Van der Weyden que, com a maior mestria, criaram obras que retratam cenas religiosas, paisagens e naturezas mortas.
Pierre-Paul Rubens (Siegen, 1577-Anvers, 1640)
A Virgem de Cumberland | Sem data | Óleo sobre madeira| 105x68 cm
Nas obras de caráter religioso, encontra-se um amplo conjunto de trabalhos em que, naturalmente, a fé (cristã) é a principal fonte de inspiração do artista. A produção dos pintores flamengos conta com um virtuosismo destacado e caracterizado por cores brilhantes. Entre as passagens mais representadas nestas pinturas religiosas podemos destacar algumas, como a infância, a paixão ou a vida de Cristo. Exemplos disso são a Virgen de Cumberland, de Rubens, a Adoración de los Magos, de Artus Wolffort ou Calvário de Victor Wolfvoet, em que vemos Jesus na cruz. A natureza morta também é um tema em destaque na exposição. Pode ser apreciada a Natureza Morta, de Jan van Kessel, que marca o corpus da exposição pelas suas grandes dimensões, circunstância que a torna singular. A obra reúne elementos tais como flores, frutas, legumes, vasos, envolvidos por diferentes tecidos e com uma paisagem crepuscular subjacente.
Johannes Sadeler (século XVII)
Los Cuatro Vientos Septentrio | Non datée | Tintas de impresión grasa sobre papel verjurado
Outro tema presente na exposição é a mitologia. Embora a cultura ocidental tivesse como base fundamental o Cristianismo, a tradição greco-romana mantinha a sua importância. Esta idealização da cultura greco-romana, o surgimento de vários documentos, obras de arte e vestígios arqueológicos são as principais razões que levam à recuperação da tradição clássica. Na série de obras de Hendrik Goltzius, podem-se encontrar os temas mitológicos e alegóricos inspirados nos textos de Ovídio. Por exemplo, em Las tres Gracias ou na alegoria dos Quatro Elementos, os indivíduos são tratados dentro desta tradição muito pictórica. O retrato também ocupa um lugar importante dentro dos trabalhos selecionados. O homem tinha também o lugar de protagonista na obra de arte. Estas pinturas estão associadas com o status e são reservadas a determinadas classes sociais ou personalidades. Na exposição podemos apreciar os retratos de Jean Charles de Cordes e Jacqueline van Caëstre, de Van Dyck. É também possível observar retratos na técnica de gravura de Van Dyck como o grabador Paulus Pintius, Adam van Noort, Jan Snellinck, Lucas Vorsterman, Jan de Wael, Paulus de Vos, entre outros. A partir do final do século XVI, começa-se a assistir a uma certa "democratização" da imagem. Até ao século XV, a paisagem é relegada para segundo plano e aparece sempre como um suplemento de um tema central. Com esta transformação, a paisagem é reconhecida como um género artístico permitindo aos pintores mostrar as suas visões da natureza. Virgen de la leche, em que a Virgem Maria e o bebé estão no meio de uma natureza exultante é exemplo disso. Uma questão de influência – de Rubens a Van Dick
![]() Anthony Van Dyck (Anvers, 1589-Blackfriars, 1641)
Retrato de Jan de Wael da Série retirada da obra intitulada Iconografia ou a vida dos Homens Ilustres do século XVII
1630 | Gravura - água forte sobre papel vergê
Culto e carismático, Rubens foi o pintor mais influente da época barroca. Pintava obras contrarreformistas, explorava temas religiosos, históricos e mitológicos. Foi também um grande retratista e no final da sua vida dedicou-se bastante à pintura de paisagens. Viveu em Itália cerca de oito anos e visitou Espanha, tendo contactado com outros pintores da época, como Velázquez. Em Antuérpia, nomeado pintor da corte do arquiduque Alberto da Áustria, onde ocupou uma posição artística e diplomática importante. Depois das suas viagens, montou um novo estúdio que albergava também os seus aprendizes, um deles, senão o mais famoso, Van Dyck que viria a ser reconhecido como o mais famoso retratista flamengo e frequente colaborador de Rubens. "O colecionismo é algo inato ao ser humano"
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