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DIOGO NAVARRO

750 DIOGO

 

 

 

 

 

 

 

[piso 0]
DIOGO NAVARRO

Exposição Live Act


Inaugura a 21 de Outubro às 21h30 e termina a 15 de Janeiro

 

Tema 7. Kwela. tecnica mista sobre tela. 2014. 200cmx500cm 750x293

 

O Diogo Navarro, a partir do que pinta, chega muitas vezes à noção de música, como texto dado à interpretação de quem quer olhar para o que escreveu com pinceis e tintas, ou como quando se encontra em Moçambique com um Elvis africano, que dedilha na guitarra partituras de vida e de sonhos. Há sempre uma paráfrase no que pinta porque ele é capaz de preservar sempre o significado essencial daquilo que quer dizer pintando, enquanto permite ao outro, sempre enquanto outro, que o possa interpretar e sentir à sua maneira.

De outras vezes é emoção, contraste, a ligação das suas obras como olhares espalhados pelo mundo, e pelo seu Mundo, onde se perfaz como texto presente e passado do acto de pintar, que sabe que é pintando que a si se pinta, à medida que vai entrando no mar como num pensamento, com as correntes ventos e marés num constante diálogo, pré figurado numa boia, a ir sobre as águas que lhe vão mudando os pensamentos, e que são percursos que começam sempre nele e a ele voltam sempre numa circularidade estonteante.

E fica nesta nostalgia da verdade, a pintar por intuição, olhando ternamente para o que primeiro pintou com 4 anos e ofereceu ao Avô, enquanto hoje vai criando geometrias próprias, ao olhar a tela de uma forma oblíqua e que, se começa por ser a cabeça de um cavalo, com quem dialoga e pode acabar por ser uma bailarina, num pas de deux, que o enleva e leva ao êxtase de se sentir a sentir-se.

E distorce de propósito o desenho, dando-lhe estruturas piriformes, lembrando a sacerdotisa de Apolo em Delfos, mas também antropomórficas, num mundo turvo e sem definição nem limites, como uma ausência, sim, o Diogo Navarro, como que pinta a ausência a várias dimensões, que às vezes são metáforas, e outras o esqueleto descarnado de um olhar outro, sobre si e sobre o que pinta.

Começou em África aos 4 anos, e voltou a Africa várias vezes como que na vivência do mito do "eterno retorno" em que volta sempre a casa, num "Buya kaya" indígena que o transcende e o eleva a céus de plenitude num" kwela" que aprendeu a dizer por lá e que significa subida, ascensão.

E espera que alguma coisa aconteça numa circularidade que desenha, numa interiorização do círculo, onde entra e sai, e em que os corações bailam e Atlas leva aos ombros o mundo que teima em conhecer.

E a boia sai de casa, é lançada de um barco sem marinheiro em que a "Buya kaya", é feita de "Kwela" sobre os rios da sua imaginação sempre em busca de uma rua que não tem fim, a não ser dentro de si e que guarda ciosamente na sua timidez.

Pertence ao que pinta, mas também pertence ao mundo, porque é um espírito livre, rebelde em que a moral cai aos pés do que pensa ser o seu dever e a sua consciência, exemplo do que a inteligência, a criatividade e a alma humana podem gerar quando tentadas à perfeição.

No princípio era a pintura e todos os maiores talentos da pintura se debruçaram sobre aquele organismo vivo e multifacetado, feito de mãos, pinceis e espátulas, tintas, terra e areia das praias, sempre na tentativa de conhecer as suas zonas de sombra e de luz, as suas sinuosidades, na medida e enquanto está sempre a inventar pintura.

Há também presente uma relação entre o que pinta e a imagem filmada onde a imaginação cria sempre a realidade, e as realidades por onde vai saltitando de uma realidade para outra, com a liberdade que só os verdadeiros exploradores podem ter. E os vídeos mostram-no a ser, não um pintor, mas uma pessoa que pinta a pintura.

A arte em Diogo Navarro não se faz, pensa-se e quem o vê sente-se perdido em pensamentos vários, de quem procura perceber o que estaria ele a pensar enquanto pintava, enquanto tudo nele é aventura, amizade, viagens muitas vezes perigosas, e a memória como única salvação, que permite compreender a realidade, a sua, as suas, até sentir dor e por fim conhecer a identidade da pessoa e do mundo que o rodeia, pelos mais variados pontos que a boia vai percorrendo, num live act onde encontra a forma de mostrar a vida, de cabelos e barbas compridas e em desalinho, como as dos portugueses de quinhentos, ou como os homens e as crianças que encontra nas áfricas que percorre também, sempre à procura da casa-mãe, das águas que o fazem voltar ao líquido amniótico que o gerou. E é de mar que se faz e se desfaz, que pinta e volta a pintar numa incansável busca de si, em tudo o que em si é vida.

 

José Manuel Arrobas

 

 

Tema 3 - acrilico s tela. 2016 403x500 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Baba, 2016
Acrílico sobre tela, 186x145cm 

Este quadro também se liga à palavra indígena, Buya, que quer dizer, regressar, "voltar" (em Moçambique). Ora Diogo Navarro ao visitar o Lago Volta, no Gana, pintou com crianças resgatadas da escravatura a que os próprios pais, ao vendê-las, as condenam sistematicamente a partir dos 4 ou 5 anos a trabalharem na pesca que se faz nas ilhas dispersas pelo grande Lago Volta. Diogo Navarro vive a circularidade, ou esse célebre mito do Eterno Retorno, indo a África e voltando repetidas vezes, tal como estas crianças, que depois de serem resgatadas, voltavam a ser vendidas, prisioneiras da sua própria história. Foi constatando isso que a Touch A Life for Kides e a Associação Filhos do Coração, os passou a abrigar numa casa onde são educados e alimentados e onde a arte é a linguagem mais comum, porque universal. Aqui o já adolescente Baba e outras crianças, ajudam o Diogo Navarro a pintar este quadro, enquanto talvez se possam ir a pouco e pouco libertando dos seus fantasmas, onde a deusa Fortuna, não os contemplou.

 


 

 

DIOGO NAVARO
Artista português, nasceu em Moçambique, em 1973.
É um artista especialmente interessado em expressar o
potencial pictórico de vários materiais. Os seus trabalhos
sobre tela ou madeira são feitos de uma montagem de
materiais em que a luz é frequentemente o actor principal.
Estudou Arte (Soc. Nac. Belas Artes, em Lisboa), gravura,
design gráfico e realidade virtual. Exibiu o seu trabalho
em 37 exposições individuais e 80 coletivas.
Em 2016, pinta com crianças no Gana através da
Associação Filhos do Coração e da Fundação Touch a Life.
Em 2015, expõem com mais 14 artistas em Veneza, por
ocasião do Ano internacional da Luz. No Instituto Veneto
di Scienze, Lettere ed Arti – Palazzo Loredan. A convite da
VICARTE, a Unidade de Investigação "Vidro e Cerâmica
para as Artes" com sede no campus da Faculdade de
Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. A
luz e o vidro e a sua interação são o tema desta exposição
de um ponto de vista artístico científico.
Em 2014, premiado no Festival Vera World Fine Art, na
categoria de pintura - inovação arquitetónica.
Em 2013, filma com o diretor de cinema Philippe Teixeira
Tambwe, em Moçambique, documentário sobre a essência
da linguagem e o seu processo criativo, com diferentes
artistas moçambicanos.
Em 2012, vence o primeiro prémio em "Image of
Russia",entre 16 artistas europeus, pela Academia de
Belas artes da Rússia em Moscovo.
Está representado na Embaixada Portuguesa da Santa
Sé, Vaticano, em Roma, na Emb. EUA em Lisboa, na Emb.
Portuguesa em Kinshasa, no Museu de História Natural e
da Ciência e no Museu Nacional Palácio da Ajuda, e em
outras embaixadas e museus da Europa.

 

 

 

 

 

 

 

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