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HANSI STAËL

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HANSI STAËL

Pintura - Cerâmica, Modernidade e Tradição


Inaugura a 9 de Setembro termina a 20 de Novembro de 2016

 

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Vindima | c.1947-1948 | Iniciais SvH (Staël von Holstein), Marcado Lisboa, Piéce Unique Faiança policromada e vidrada
Presumível execução na Fábrica Sant'Anna, Peça exposta no I Salão Nacional de Artes Decorativas, SNI, 1949 | Diam. 37.5cm

 

 

 

O TRAÇO MODERNISTA DE HANSI STAËL

 

Há nomes que marcam épocas e fases de transição de um país. No panorama artístico nacional, Hansi Staël é um dos que, sem dúvida, contribuiu para uma viragem na pintura e indústria da cerâmica nos anos 50. O Centro Cultural de Cascais expõe o trabalho da artista, numa retrospetiva que conjuga modernismo e temas da cultura portuguesa.

 

Hansi Staël teve uma vida curta – faleceu com apenas 48 anos -, mas repleta de produção artística. Em 1946, fixou-se em Portugal com a família e desenvolveu a sua vasta obra em várias disciplinas artísticas, como a pintura, cerâmica, artes gráficas, ilustração, vidro e frescos. Livre na expressão pictórica, a artista recusou as formas académicas e tradicionais da pintura do século XIX, dando origem a uma produção artística modernista, na senda das manifestações artísticas do pós-guerra.


A geometria e simplicidade das formas e corpos, o abstracionismo dos rostos e representações humanas são elementos presentes na sua obra. O recurso ao cromatismo, ou a ausência de cor, demonstram uma faceta de experimentação da artista, mas é a junção desses traços estilísticos com a observação dos temas e cultura portugueses que imprimem à obra de Hansi Staël um estilo modernista, anunciando um olhar atento à realidade das classes sociais, da cultura popular e dos ofícios que caracterizavam o país.


Após os primeiros anos em Portugal, começou a frequentar o estúdio do escultor e artista plástico João Fragoso, onde conheceu o sócio principal da fábrica de cerâmica SECLA, das Caldas da Rainha. Em 1950 fundou o Estúdio SECLA e, a partir de 1954, foi diretora artística da empresa.


Os seus trabalhos de ceramista contribuíram ativamente para a renovação estética da produção de cerâmica. A sua mestria no desenho e gravura e estilo modernista agitaram a então conservadora indústria das Caldas da Rainha, caracterizada sobretudo pela manutenção dos temas bordalianos. Esta revolução estética valeu a internacionalização da cerâmica caldense, pois Hansi Staël sabia refletir a ruralidade, o trabalho do campo, o mar, a pesca, a vivência do homem com a natureza e os costumes portugueses através de um desenho influenciado pelas novas correntes artísticas. São temas e características pictóricas evidentes em peças de cerâmica como Cavalos na Ribeira, Vindima ou Altamira.


A artista húngara viveu durante cerca de dez anos entre Lisboa, onde desenvolvia as suas pinturas e gravuras, e as Caldas da Rainha, onde continuava o trabalho relacionado com a fábrica Secla. Em 1957 viu-se obrigada a abandonar a actividade por razões de saúde, mas a sua assinatura prevaleceu nas Caldas da Rainha. Ainda hoje continua a ser lembrada como a ceramista que impulsionou a indústria e combinou tradição com modernidade. Da mesma forma, a sua pintura marcou épocas e lugares.

 

Tal é o caso da série de painéis Pesca, Apanha Fruta, Ceifa, Vindima e Caça que pertenceu ao navio de passageiros Uige. O navio, que efectuava viagens entre Lisboa e Angola, Moçambique e São Tomé, foi mais tarde adaptado para transporte de tropas, desmantelado em 1978, e o seu conteúdo comprado por um particular. Só em 2013 os painéis surgiram em leilão, permitindo que a família os adquirisse. Os cinco painéis (com dois metros de altura por um de largura), pintados em têmpera, foram entretanto restaurados por Ilona Staël, filha da artista.


O Centro Cultural de Cascais apresenta agora a evolução do trabalho da artista, dando a conhecer um conjunto de pinturas representativas do perfil mais intimista de Hansi Staël e algumas das suas peças de cerâmica, que chegaram a ser desenvolvidas para produção industrial.

 

Biografia de Hansi Staël (1913 – 1961)

Batizada como Ilona Hanna Emilie Lenard, Hansi Staël nasceu em Budapest em 28 de Março de 1913. Em 1932, com apenas 18 anos, formou-se no Kunstgewerbeschule em Budapest, para além de estudar na Universidade de Viena, onde obteve o diploma de intérprete em Húngaro Alemão-Inglês.
Até 1938, ano em que se casou com o sueco Barão Didrik Stael von Holstein, viveu um período em que sempre desenhou e pintou, ao mesmo tempo que trabalhava na Agência de viagens da família. Logo depois de se casar, foi viver para a Suécia, antes mesmo do início da guerra, onde realizou várias encomendas de desenhos para têxteis e joalharia para a conhecida empresa de decoração de interiores Svensk Tenn.
Foi em 1946 que a família se mudou para Portugal. Aconselhada pelo arquiteto Leonardo Castro Freire, especializou-se em cerâmica e em 1950 começou a trabalhar na Secla, nas Caldas da Rainha. Pouco tempo depois, passou a diretora artística. Nesse período, inovou na produção da fábrica, introduzindo novos desenhos. Apesar de trabalhar na Secla, Hansi dividia o seu tempo entre as Caldas da Rainha e Lisboa. Na capital pintava e fazia experiências com outros materiais. Até à sua morte em 1961, produziu uma vasta obra artística que passou pela pintura e cerâmica e também pela litografia e gravura.

 

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Mulheres na varanda | Tempera sobre aglomerado de madeira | 85x67cm

 

 

Ilona Staël

para o Centro Cultural de Cascais

Entrevista sobre Hansi Staël | Agosto de 2016

 

Tem conhecimento das referências literárias e artísticas que influenciaram a obra e o universo artístico de Hansi Staël?

Ilona Staël (IS):Não sei quais são especificamente. No entanto, Hansi Staël cresceu no seio de uma família muito culta e intelectualmente ativa. A literatura, a arte e a música faziam parte do dia-a-dia da família. Além disso, Hansi viveu a sua infância em Budapeste e Viena, no período entre guerras, onde o movimento das artes e ofícios era muito progressivo.

Os ofícios e cultura portuguesa do país rural que foi Portugal são constantemente caracterizados na obra de Hansi Staël. Era uma forma de compreender o país em que vivia?

IS: Talvez não compreender, mas, sobretudo, interpretar a proximidade e afinidade existentes entre Portugal e o seu povo e a Hungria, onde viveu a infância. Como em Portugal, também na Hungria o povo era trabalhador, pobre, amável e generoso. Hansi pintou o que viu e vivenciou.

Hansi Staël costumava dizer que "a pintura é a única coisa que interessa". Como interpreta esta afirmação da sua mãe?

IS: Esta afirmação foi escrita no seu diário, durante os últimos dois anos em que trabalhou nas Caldas da Rainha. É uma das últimas entradas do diário, numa fase em que a sua vida se tornou muito dura e difícil, em que Hansi estava já muito doente com esclerose múltipla e teve que deixar a Secla. Nessa altura, a pintura era a única coisa que interessava.
O seu diário é um documento muito interessante para interpretar aquele período em Portugal (1957) e a comparação que Hansi faz entre Portugal e a Hungria.

Quais são as suas memórias enquanto filha da artista? Acompanhava-a durante as suas horas de trabalho em Lisboa ou na Secla, nas Caldas da Rainha?

IS: Infelizmente passei muito pouco tempo com a minha mãe. Nasci na Suécia e estudei lá, numa escola interna. Passava apenas seis semanas de férias no Verão com a minha mãe. Vivíamos em Lisboa, mas durante o período de férias íamos sempre duas semanas por mês para as Caldas da Rainha. A minha mãe trabalhava e eu e o meu irmão andávamos pela fábrica, experimentando tudo, com a ajuda dos funcionários, que foram sempre muito simpáticos connosco. Nessas duas semanas, também íamos sempre à Nazaré e enquanto brincávamos na praia, a mãe passava os dias a desenhar os barcos, os pescadores com as suas redes, as peixeiras e as suas múltiplas saias. Todos esses desenhos, mais tarde, foram utilizados nas cerâmicas fabricadas pela Secla.
Em Lisboa, havia um estúdio na nossa casa e um espaço para fazer gravura. Havia sempre um vaivém de artistas daquele tempo. Para nós (eu e o meu irmão) foram sempre uns tempos curtos e belos.

Qual a sua interpretação da obra de Hansi Staël?

IS: Para mim Hansi Staël é uma artista portuguesa, tanto nas cores como nos temas. Ela era muito moderna para a época em que viveu e, na minha opinião, contribuiu muito para transformar e modernizar a cerâmica em Portugal. Nas pinturas, podemos encontrar as artes tradicionais, mas também um modernismo e uma libertação do figurativo, na interpretação dos temas do dia-a-dia.

De todas as disciplinas artísticas (pintura, cerâmica, gravura) qual a que, na sua opinião, caracteriza mais Hansi Staël como artista?

IS: É indubitável e principalmente a pintura. Mas Hansi era muito prolífica e experimentava todas as formas de arte: cerâmica, vidro, vitrais (por exemplo, os da Igreja Matriz de Alter do Chão) gravura e murais.

Como descreveria Hansi Staël se tivesse que apresentar a pessoa e a artista ao público do Centro Cultural de Cascais?

IS: Muito inteligente, culta, curiosa, carinhosa e uma trabalhadora prolífica. Tinha a habilidade de facilmente falar e misturar gente de todos os meios. Tinha também um maravilhoso e extraordinário sentido de humor, entusiasmo e força de vontade para a vida e para viver.

 

 

 

 

 

 

 

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