Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
Início Outros Percursos CONVERSAS DA REPÚBLICA - CULTURA

 Conversas da República CULTURA 2 707x1000

 

 

 

 

 

PROJECÇÃO branquinho da fonseca 750x422

 

 

 

B R A N Q U I N H O   D A   F O N S E C A

ESCRITOR, POETA, DRAMATURGO, FICCIONOISTA "PAI" DAS BIBLIOTECAS ITINERANTES | 1905 – 1974

 

 

I – Enquadramento de uma vida
Grande vulto do chamado Segundo Modernismo Português, expoente maior da nossa novelística e "pai" das Bibliotecas Itinerantes, António José Branquinho da Fonseca, licenciado em Direito, nasceu em Laceiras, Concelho de Mortágua, a 4 de Maio de 1905.

Era filho de Clotilde Madeira Branquinho e de José Tomás da Fonseca. Homem de olhar bondoso e figura inconfundível pelas suas longas barbas, Tomás da Fonseca foi uma figura de grande destaque no meio intelectual e político do seu tempo, o que por certo influenciou a personalidade do filho e lhe vincou o carácter. Tomás da Fonseca era também um apreciado poeta, escritor, historiógrafo, jornalista, professor. Homem de espírito brilhante e habilíssimo orador envolveu-se desde muito novo na propaganda republicana, acabando por se filiar no Partido Republicano e ser uma das figuras mais relevantes da campanha que precedeu a implantação da República.

Quando Branquinho da Fonseca tinha 5 anos, o pai resolveu viajar para Lisboa, em 1910, para se juntar à revolução de 5 de Outubro que se preparava em segredo. Toda a família o acompanhou, incluindo o segundo filho do casal, Tomás, com pouco mais de 2 anos.

Foi nessa altura que o pequeno Branquinho da Fonseca iniciou a instrução primária na Parede e frequentou, depois, o Liceu Passos Manuel, em Lisboa, onde cumpriu com excelentes notas a maior parte dos estudos secundários.

 

108 Coimbra 600x400

 

II – Coimbra e as primeiras experiências literárias
Derrubada a Monarquia e instituído o Governo da 1ª República, Branquinho da Fonseca viu a figura tutelar de seu pai ser chamado para Chefe de Gabinete do Ministro do Fomento, Dr. António Luís Gomes, e em 1916 ser eleito Senador pelo distrito de Viseu.

Em 1921 a família foi viver para Coimbra, onde Branquinho da Fonseca concluiu no Liceu José Falcão os estudos secundários que tinha iniciado em Lisboa, matriculando-se então no Curso de Direito, na Universidade de Coimbra.

Em 1925 envolve-se na fundação de uma revista literárias, a Triptico, com alguns amigos que entretanto conhece em Coimbra: Vitorino Nemésio, Afonso Duarte, António de Sousa. Tinha 19 anos.
Inicia a sua carreira literária em 1926 com a publicação de «Poemas»; uma edição inteiramente patrocinada pelo pai, que reconhecia no filho excelentes dotes literários.

O grupo de amigos alargou-se entretanto a outros nomes que marcariam a Literatura Portuguesa, como José Régio ou João Gaspar Simões, sendo do estreito convívio entre todos que nasce uma nova  revista literária, a Presença

A Presença e a Orpheu constituíram dois marcos fundamentais da literatura portuguesa na primeira metade do século XX, sendo inegável que a primeira teve um papel fundamental na difusão do genial grupo da segunda, tomando como mestres os escritores do primeiro modernismo português: Fernando Pessoa, Sá-Carneiro e Almada Negreiros.

 

11 Pessoal envolve a carrinha 600x400 

 

III – A Vida profissional
Desiludido com o rumo que a Presença estava entretanto a tomar, e sentindo-se impotente para o contrariar, Branquinho da Fonseca abandona a direcção da revista para fundar com Miguel Torga, uma nova revista, a Sinal, da qual apenas um número foi no entanto publicado.

Conclui então na Universidade de Coimbra, em 1930, a sua licenciatura em Direito. Foi nomeado Conservador do Registo Civil de Marvão e, em 1936 colocado, com o mesmo cargo, no Registo Civil da Nazaré. Em 1941 viaja para Lisboa, com a família, para ocupar o cargo de Chefe da Secretaria da Comissão de Obras da Base Naval de Lisboa.

No ano seguinte, 1942, Branquinho da Fonseca escreve (ainda com o pseudónimo António Madeira) o que muitos consideram a obra-prima da sua produção literária, O Barão. Este texto foi adaptado ao cinema pelo realizador Edgar Pêra, sendo Nuno Melo o misterioso Barão. O director de fotografia é, certamente com enorme orgulho, Luís Branquinho, neto de Branquinho da Fonseca, que reside em Cascais na casa onde morava o Avô.

 

12 Branquinho Castro Guimarães

 

IV – Cascais
No ano de 1943 recebe um convite para o lugar de Conservador do Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, ao qual tinha já apresentado a sua candidatura alguns anos antes, na altura preterida.

Branquinho da Fonseca já residia em Cascais quando foi distinguido com esse convite, desenvolvendo uma relação intensa e fecunda com a Vila, influenciando e sendo influenciado pelo ambiente cosmopolita.

E é nesse cargo que se destaca como Conservador da Biblioteca-Museu e grangeia um vastíssimo prestígio no panorama dos Livros e das Bibliotecas em Portugal.

E é também em Cascais que Branquinho da Fonseca põe em prática um dos seus mais antigos sonhos, promovendo a primeira experiência realizada em Portugal no domínio das bibliotecas itinerantes, adaptando a essa nova e nobre missão uma velha carrinha do belíssimo museu cascalense a qual proporcionará, ao longo de vários anos, a generosa fruição do livro a grande parte da população do concelho, através do empréstimo domiciliário.

Impressionado com o êxito dessa experiência, Azeredo Perdigão convidou Branquinho da Fonseca para criar, organizar e dirigir o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian, que passou a funcionar a partir de 1958 e da qual Branquinho da Fonseca foi a alma e o director desde essa altura até à data da sua morte, em Maio de 1974.

É pois graças à paixão, à capacidade e à determinação de Branquinho da Fonseca que em 1958 surgem nas estradas portuguesas as primeiras unidades móveis da Gulbenkian, um Serviço que ao longo de 44 anos de existência emprestou à população portuguesa cerca de 97 milhões de livros, abrangendo mais de 29 milhões de leitores espalhados por três mil e novecentas povoações portuguesas, do litoral ao interior mais profundo.

Para homenagear a sua memória a Câmara Municipal de Cascais criou, em 1995, o Prémio Branquinho da Fonseca de Conto Fantástico. E em 2001, de uma parceria entre a Fundação Calouste Gulbenkian e o Semanário Expresso foi instituído o prémio Branquinho da Fonseca Expresso/Gulbenkian.

 

 

Neste final de Fevereiro de 2016, altura em que o Bairro dos Museus cumpre o seu primeiro ano de existência ao serviço da Cultura, a Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luís homenageiam Branquinho da Fonseca tornando-o figura inspiradora da 2ª sessão das Conversa da República, dedicada à Cultura, na qual participam Isabel Pires de Lima, Filipa Melo e José d'Encarnação. A Salvato Teles de Menezes caberá a moderação. O debate começa às 21h00 do próximo dia 25 de Fevereiro (quinta-feira) no auditório Maria de Jesus Barroso da Casa das Histórias Paula Rego. A entrada é livre.

  

 

I S A B E L   P I R E S   D E   L I M A

Nascida em Braga (1952). Professora Emérita da Universidade do Porto. Professora Catedrática Aposentada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a cujos quadros pertenceu entre 1973 e 2013. Investigadora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (Unidade I&D da FCT). Professora convidada em Universidades europeias, africanas, americanas e asiáticas. Doutorada em Literatura Portuguesa com a tese As Máscaras do Desengano - para uma leitura sociológica de 'Os Maias' de Eça de Queirós (Lisboa, Caminho, 1987); especialista em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea e em Estudos Queirosianos com dezenas de títulos publicados; trabalha ainda em Estudos Interartísticos e em Literaturas Comparadas em Língua Portuguesa. Promotora de colóquios e congressos nacionais e internacionais.
Coordenadora da equipa portuguesa no projeto Lettres Européennes - Histoire de la Littérature Européenne (Paris, Hachette, 1992), das equipas que organizaram e editaram o Iº Encontro Internacional de Queirosianos (Eça e "Os Maias", Porto, Edições Asa, 1990), o Colóquio Antero de Quental e o Destino de uma Geração (Porto, Edições Asa, 1993), o Encontro "Neorealismo/Neorealismos" (Vértice, nº 75, Dezembro de 1996), o Colóquio Internacional Eça de Queiroz - 150 anos do nascimento (Câmara Municipal de Sintra, Vária Escrita,nº4,1997), o Encontro "Seara Nova - Razão/Democracia/Europa - Textos e Contextos" (Câmara Municipal de Matosinhos/Casa Museu Abel Salazar, 1998) e o Colóquio Internacional Viagem do Século XX em José Gomes Ferreira (Porto, Campo da Letras -FLUP, 2002).
Na área dos Estudos Queirosianos publicou 'Os Maias´ cem anos depois (Porto, Árvore, 19889), Retratos de Eça de Queirós (Porto, Campo das Letras / Fundação Eça de Queiroz, 2000), editou e prefaciou A emigração como força civilizadora (Lisboa, Dom Quixote, 2000), O Crime do Padre Amaro com ilustrações de Paula Rego (Porto, Campo das Letras, 2001) e Visualidades – A Paleta de Eça de Queirós (Porto, Árvore–Casino da Póvoa, 2008). Integra o coletivo que produziu o Dicionário de Eça de Queiroz, coordenado por Campos Matos (Lisboa, Caminho, 1988; 2ªed., 1994; Suplemento, 2000; INCM, 3ªed., 2015).
No âmbito da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura, foi comissária do ciclo de 13 colóquios Vozes e Olhares no Feminino (Porto 2001/ Afrontamento, 2001). Editou Trajectos - o Porto na Memória Naturalista (Lisboa, Guimarães Editores, 1989); Comissária Científica do Instituto Camões para o "Encontro de Literaturas Ibero-Americanas", (VIII Cimeira Ibero-Americana de Chefes de Chefes de Estado e de Governo – Porto, 1998) e para a ação "Eça de Queirós entre milénios: Pontos de olhar" de comemoração do centenário de Eça de Queirós no estrangeiro com colóquios em Havana, Paris, Rio de Janeiro, S. Paulo, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Bristol, Montevideu, Buenos Aires, Santiago do Chile (2000-1); Deputada à Assembleia da República Portuguesa (1999-2005/2008-2009); Ministra da Cultura de Portugal do XVIIº Governo Constitucional (2005-2008); Vice-Presidente da Fundação de Serralves para o triénio 2016-9; Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

 

 

F I L I P A   M E L O

Jornalista, crítica literária e escritora, nasceu em 1972. Trabalha há 20 anos na divulgação da literatura nacional e clássica na imprensa e na televisão. É autora do romance Este É o Meu Corpo, traduzido em sete línguas.

Desde 1990, como jornalista especializada na área de Cultura/Literatura, trabalhou como repórter (Visão, Expresso, Grande Reportagem, Ler, JL, O Independente, Escrita em Dia/ SIC), editora (Livros de Portugal/APEL, Mil Folhas/Público, Oriente/ SIC Notícias, Magazine e Magazine Livros/ RTP2), crítica e comentadora (Acontece e Jornal2, RTP2) e consultora (Câmara Clara, RTP2). Em 2011, assinou a autoria, edição e apresentação do programa «Nós e os Clássicos», exibido pela SIC Notícias. Entre 2006 e 2014, orientou a primeira Comunidade de Leitura em livraria, dedicada à Literatura Portuguesa Contemporânea. Recebeu o Prémio Nacional de Cultura Sampaio Bruno em 1996. O seu primeiro romance, Este É o Meu Corpo (Temas e Debates/Sextante), data de 2001 e foi publicado em Espanha, França, Itália, Polónia, Croácia, Eslovénia, Sérvia e Brasil. Os seus contos encontram-se publicados em diversas publicações e antologias portuguesas e internacionais.

Atualmente, dirige a revista EPICUR, assina crítica literária nos jornais «i» e Sol e na revista Ler, dirige formações em escrita criativa literária e, ocasionalmente, orienta ciclos de divulgação de literatura ou de participação ativa do cidadão.

 

 

J O S É   D' E N C A R N A Ç Ã O

Professor catedrático desde 1991 (História e Arqueologia) da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, está aposentado desde 2007. Foi docente, entre outras disciplinas, de Património Cultural e esteve na origem, em 1989, da criação do Curso de Especialização em Assuntos Culturais no âmbito das Autarquias.
Nomeado, em 2001, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Poitiers (França), foi também agraciado com a medalha de mérito municipal de Cascais e com as insígnias de mérito cultural do Município de S. Brás de Alportel, sua terra natal.
Membro, entre outras instituições científicas e culturais, da Reial Acadèmia de Bones Lletres (Barcelona), da Real Academia de la Historia (Madrid), da Academia das Ciências de Lisboa e Académico de Mérito da Academia Portuguesa da História. Membro fundador da Associação Cultural de Cascais (1988).
O seu campo privilegiado de investigação científica prende-se com a Epigrafia romana, sobre cuja aprendizagem escreveu um manual, ora em 5ª edição, Epigrafia – As Pedras que Falam. É autor de cerca de 800 textos, publicados em revistas e livros da especialidade.
Jornalista, escreve regularmente para os jornais locais desde 1968, mormente sobre temática cultural. É autor, por exemplo, dos livros: Cascais e os Seus Cantinhos (2002), Festas de Tradição no Concelho de Cascais (2004), Recantos de Cascais (2007), Dos Segredos de Cascais (2009), Cascais – Paisagem com Pessoas dentro (2011).

 

 


 



Informações: Gabinete de Comunicação do Bairro dos Museus – 214 815 911 / 912  -  Fundação D. Luís I – 214 815 660 / 665

 

 

 

Agenda

<<  Dezembro 2019  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
        1
  2  3  4  5  6  7  8
  9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031