Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
CHRISTOS TH. BOKOROS

Exposição No Caminho da Essência

8 de março a 25 de maio de 2014
 
xxl BOKOROS 750x250
 
O percurso pictórico de Christos Bokoros - «exercício de autognose», nas suas próprias palavras – acompanha e equaciona questões que compõem a natureza da essência do Homem: memória individual e colectiva, realidade, verdade, eternidade. A sua obra apresenta a posição que adopta face a elas, na sua dedicação de reflexão sobre a função da pintura na configuração da relação que temos com o nosso mundo exterior e interior. No seu conjunto, é um percurso que aborda com dedicação o «universo difícil» do espiritual na Arte – uma arte que seja nossa, pois interroga quem somos.

Em torno da essência, a última unidade temática da sua obra, apresentada em duas salas, «debate-se com a medida do Homem», segundo as suas próprias palavras. Na primeira sala, homens e mulheres apenas, deitados em tábuas compridas, repousam num universo em que o espaço e o tempo se uniram; ao fundo, o limite de uma porta entreaberta que nos pode unir com a luz. Na segunda, as obras representam uma reflexão em torno do essencial da vida: água e sabão a evocar a pureza da alma, um «naco de pão», a cama dos mortais e, no fim, a saída libertadora, a parte de trás da porta entreaberta em direcção à luz.

Gravada sobre superfícies usadas, tábuas de pontes antigas, e figurativa em absoluto, a pintura de Christos Bokoros restaura na matéria a unidade de tradições pictóricas distintas. Fundamentalmente, estabelece uma reflexão filosófica que, ao atravessar o olhar e a mente do espectador, se transforma em experiência.
 
P1530271 370x208 P1530575 370x208
P1530499 370x208 P1530030 370x208
P1530036 370x208 P1530172-001 370x208
P1530110 370x208 P1530028 370x207
 
 
Georgia Kakourou-Chroni* sobre «O estritamente indispensável»

Os seres humanos sempre se interessaram pelos movimentos do céu, porque estes estavam integralmente relacionados com tudo o que realizavam na terra, de que dependia as suas vidas: semear, colher, deslocar-se. «As Plêiades caem na praia e lá por trás encomendam: nem redil na serra nem juntas no campo!» - Não era assim que o povo dizia, quando as Plêiades se punham no final de Novembro? Entre as leis do céu e as da terra havia total correspondência.
Esta foi a primeira impressão na exposição de Bokoros, «O estritamente indispensável». Uma mulher deitada e, sob ela, a terra; a camomila a perfumar tudo. Instintivamente, esfreguei os dedos, vi-os amarelecerem do pólen e evoquei o perfume com a memória; assim, como de cada vez que apanho camomila na Primavera. E exactamente em frente dela, um homem, também ele deitado, e por cobertura o céu. Leis celestiais e terrenas, não só na prática, mas sobretudo ao nível ético, em total harmonia. Uma mulher, uma divindade feminina, a nossa Geia, encostada à Terra; e um homem, uma divindade masculina, o nosso Urano, a contemplar o que é do seu domínio; e os dois a respirar como Uno.

P1530344 370x208 P1530220 370x208

Não me lembro com que palavras da «Mulher de Zante» relaciona Bokoros os dois quadros, mas evoco eu o discurso ambivalente: «Mas não via [...] nem o mar, nem a terra que pisava, nem o céu. [...] Mas ouvi a terra tremer debaixo dos meus pés, e uma imensidade de relâmpagos encher o ar». Até que se perturbou para sempre aquela harmonia da primeira impressão; e o abandono deixou-me inconsolável.
A visita guiada de Christos Bokoros (25.01.2014) teve lugar numa sala cheia; enquanto durou, os quadros não estavam lá; estava sobretudo o pintor, mais ainda a voz dele, sem microfone, murmurante e comovente na sua confissão, e o público seguia-a como os crentes na procissão.

P1530188-001 370x208 P1530325 370x208

Traves de pontes da serra com muitos anos; sons do arrastar de pés, passos dos cansados e oprimidos. O Stratos, que ajudou a transformar a madeira em superfícies capazes de receber cor; passou assim a chamar-se «Εustratios», «bom caminho de andar», nome que é um voto, como o hábito dos antigos de formular desejos com o nome dos filhos («Demóstenes», o que adquire valor cívico).
O Stratos, pois, e imediatamente depois pinta a cigana, também ela deitada, cansada e oprimida, de pés descalços no seu vaivém infindo de uma para a outra margem da ponte. Em frente dela o Giorgos Guardador de Porcos, um conhecido do Bokoros através da Internet. Mas eu lembrei-me do verdadeiro Giorgos Guardador de Porcos, do Filho Pródigo, e pareceu-me reparada a injustiça perpetrada ao grande mestre cujo nome nos ensinou a pensarmos como guardadores de porcos e não como o gramático bizantino que não escreveu nada e deixou – como todos os grandes mestres – que os seus alunos escrevessem por ele.

P1530251 370x208 P1530257 370x208

E nesta boa vizinhança, a mãe, retratada pela primeira vez, coberta com um pedaço de tecido, mas com a coqueteria feminina presente em todas as joias. Orgulha-se, orgulha-se, e lá no fundo benze-se e espera.
Todos pessoas cingidas nas dimensões estreitas da madeira, parecem esquecidos da travessia, da comunicação de uns com os outros que nos oferecem as pontes. Dentro de espartilhos conquistam a sua liberdade, tal como dentro de limites, dentro de um espaço reduzido, decide desta vez pintar o pintor, para se convencer e convencer que é dentro de limites que se funda e conquista a eira da liberdade.

P1530146 370x208 P1530070 370x208

A luz, a réstia de luz, entre e por debaixo das duas folhas da porta de madeira. A máscara do pai, pois tal foi o penhor ao filho: «a luz, não percas a luz de vista». Coração obediente! Bokoros caminha, e conduz-nos, da escuridão para a luz. Fez-me lembrar Botticelli no quadro da Divina Comédia com a Beatriz a segurar Dante pela mão e a levá-lo por um raio de luz em direcção aos céus.
A «abertura» da porta, efectivamente, conduz à luz, visto que as obras da exposição são divididas em dois espaços pela porta pintada, o primeiro espaço na sombra e o segundo iluminado. A luz, gloriosa(?), o Estritamente Indispensável. Um quadro com dois pratos de comida, dois copos de vinho, duas azeitonas, duas fatias de pão, duas peças de fruta, para dividir os bens e redobrar o amor. Ansiosos e afadigados com muitas coisas, mas uma só é necessária: um pouco de comer, um encosto para a fadiga, um gole de água, uma côdea de sabão, uma toalha para o asseio; e um espelho para ver, sem vergonha, o rosto.

 
P1530457 370x208

P1530290 370x208

 
A porta-divisão dos dois espaços conduz desta vez no percurso inverso, da luz para a escuridão, exacerbando o diálogo luz-trevas, trevas-luz, já que não há forma de uma existir sem a outra. À semelhança do caos interior, assim surge a forma sobre a madeira. Ou talvez, à semelhança da travessia do labirinto de veredas efectuada pelo próprio pintor nos últimos anos no sentido da aceitação do dom que possui para nos instruir em bom servidor.
O pintor libertou-se da ansiedade sobre a pintura figurativa. Seja como for, a sua arte pressupõe um mundo que somos chamados a distinguir. Com a sua pintura narrativa, Bokoros ajuda-nos a fazer as ligações que nos conduzem ao significado. Retiremo-nos, pois recebemos pão e vinho, pois comungámos a sua arte.

* Georgia Kakourou-Chroni é Doutora em Filosofia, Universidade de Atenas, curadora da Pinacoteca Nacional, delegação de Esparta.

 

 

fdluis1 750x375

/  memória nacional ΙΙ, 2011, óleo sobre pano e madeira, 200 x 93 cm

 

 

 

 A57 750x318

A68 750x318 copy

 

/  o céu sobre nós, uma ressurreição, 2013, óleo sobre madeira, (2x)  416 x 22 cm

/  a terra florida à nossa volta cheira bem, 2013, óleo sobre madeira, (2x)  416 x 22 cm

 

 


 

 

 

convite digital BOKOROS 370x370

Clique na imagem para visualizar convite

 


 

CHRISTOS TH. BOKOROS

Christos Bokoros nasceu em 1956, em Agrínio (Grécia). Estudou Direito na Universidade da Trácia e Pintura na Escola de Belas Artes de Atenas. Vive e trabalha em Castela, no Pireu. Em várias ocasiões foi chamado a representar a Grécia no estrangeiro, tendo sido distinguido internacionalmente. As suas obras têm sido expostas em diferentes países e incorporam coleções públicas e privadas, nacionais e internacionais.

 


 

 

 

 

Agenda

<<  Novembro 2019  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
      1  2  3
  4  5  6  7  8  910
11121314151617
18192021222324
252627282930