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JOÃO ALVIM

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Ver é aquilo que no homem é mecânico. Olhar é discernir, perscrutar, interpretar. Do ver ao olhar, do animal ao ser humano, da máquina ao sentimento, a distância é a mesma.
Retratar pode ser reproduzir com mestria: uma testa alta, um nariz adunco, umas orelhas assimétricas. A tela reproduz o que todos vemos. Mas retratar pode ser olhar para alguém e descobrir nesse alguém o visível e o invisível, fazer do rosto que sorri ou olha em frente não uma pessoa apenas, mas o lugar geométrico de humores, de felicidades e desejos, de angústias e memórias. Retratar pode ser só ver, mas também pode ser construir, decifrar. O artista pinta, não o que vê, mas o que descortina quando olha - encontra um traço de carácter onde outros vêem apenas uns olhos castanhos, percebe uma fragilidade onde outros detectam apenas uma boca bem desenhada.
O que une estes dezoito retratos? Um olhar imediato verá o óbvio: figuras masculinas, todas. Anatomias díspares, assemelhando-se, no entanto, naquilo que une a espécie humana. Dezoito pessoas que formam, na singularidade de cada quadro, um universo próprio, que estabelece com os outros um conjunto não inteiramente disjunto. Dos dezoito, dezassete juntam-se regularmente numa tertúlia a que chamaram "8 de Janeiro", unidos por factores diversos que agregam subconjuntos: passados partilhados, amizades duradouras, percursos académicos comuns, memórias de tempos e de lugares, que quase todos habitam no concelho de Cascais. Acima de tudo une-os, aos dezassete, o gosto da companhia mútua, o prazer da conversa e da gargalhada ou ainda, e sobretudo, esta ideia milenar de que à mesa de uma refeição não se envelhece.
Desta exposição não constam dezoito retratos. Esta exposição compõe-se de dezoito olhares. Foi isso que fez o pintor, para quem o pincel e a tinta e a tela não foram mais do que extensões dos olhos e da alma com que viu cada um deles.
Dezoito retratos pintados em acrílico, com liberdade de mancha e cor que se formam na paleta ou na tela, com densidade e texturas várias que acentuam a expressão de cada obra.
À densidade da pintura, ao respeito pela forma, ao jogo do claro-escuro alia-se a intuição do gesto de pintar na aplicação da mancha e na subtileza das cores, até se encontrar o equilíbrio pretendido – tudo isto num jogo entre a intuição da pincelada e a procura da melhor interpretação do retratado.

 

Os retratados

António Nunes da Silva | Bernardo Costa Duarte | Bernardo Menezes | Duarte Fonseca | Eduardo Simões dos Reis | Francisco Lufinha | Guilherme Pinto Basto | João Alvim | João Costa Guerra | João de Bragança | João Magalhães Ramalho | João Pinheiro da Silva | Manuel Fontes | Manuel Macieira Pires | Nuno Leite Faria | Paulo Sequeira Nunes | Pedro Campilho | Vasco Galvão

 

 

 

 

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