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BARROS MALAGUENHOS

Exposição Barros Malaguenhos

 

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D U A R T E   P I N T O   C O E L H O   CASCALENSE DE ELEIÇÃO, 1923-2010

Duarte Maria Egas de Avillez Pinto Coelho nasceu em Cascais. Estudou Direito com a intenção de enveredar por uma carreira diplomática, mas depois de passar larga temporada em Paris, no pós-guerra, seria em Madrid, onde chegou no ano de 1955, que ganharia reputação de decorador de nomeada.

 

 

 

 

COLEÇÃO DUARTE PINTO COELHO

 

Barros Malaguenhos

 


 CASA DUARTE PINTO COELHO, 21 SETEMBRO 2013 A JUNHO 2014

 

 

 

 

Não obstante ter encontrado em Espanha o acolhimento que lhe permitiu uma grande trajectória profissional como decorador do Património Nacional de Espanha, jamais esqueceu o lugar onde nasceu.

Além da sua actividade principal, encontrou no coleccionismo o segredo para dar asas à vocação que até ao fim preencheu a sua curiosidade intelectual, podendo dizer-se ter sido nesta vertente que a ligação à terra-mãe mais exuberantemente se manifestou.

As colecções Loiça das Caldas, Barros Malaguenhos, Vidros da China e Vulcões Napolitanos ficarão sucessivamente disponíveis para visita na primeira fase do funcionamento da Casa Duarte Pinto Coelho.

 

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M E M Ó R I A S   D E   B A R R O


 

A transposição para o barro, com intuitos decorativos, de temas populares, nomeadamente aspectos do quotidiano, é tão antiga que à memória surgem-nos as imagens de Tanagra, como uma das expressões clássicas mais bem sucedidas.

Em Portugal, o gosto pelo registo de vivências diárias, reconhecíveis por quem as observava como a fixação matérica de gentes e hábitos, não constituiu uma tradição preponderante no panorama da escultura de barro. Isto não significa que não exista uma memória de manufactura de terracotas na cultura escultórica portuguesa. Pelo contrário, é precisamente neste material que se podem observar alguns dos aspectos mais originais e das manifestações maiores da nossa sensibilidade. Os temas abordados, na sua maioria ciclos religiosos, nomeadamente Presépios, citam, ainda assim, aspectos e vivências coevos ao modelador, integrando num tempo religioso o espaço do quotidiano facilmente reconhecível pelas gentes humildes que nele se integravam para adorar o Menino.

Ao observarmos os barros de Málaga, no seu gosto documental e na precisão da sua modelação, admiramos a formação artística dos seus autores. São objectos onde é sensível o conhecimento académico que dota a escultura de rigor anatómico, equilíbrio e harmonia das formas, associando-os a algum maneirismo de gestos, uma formação distante, na generalidade, da produção portuguesa que lhe era contemporânea. São figuras que resultam de uni olhar erudito, de uma apetência romântica sobre o que então se classificava como manifestações de cultura popular. Poderíamos ser tentados a estabelecer um paralelo entre estes barros malagueños e as peças nascidas das mãos de Rafael Bordalo Pinheiro, ainda que estas últimas sejam executadas em faiança, já não o barro cozido mas vidrado. Outro factor que as separa é a época em que foram executadas, sendo as figuras portuguesas mais próximas de nós que as representações espanholas. Ainda assim, numa primeira abordagem, quando observamos as Varinas, as Tricanas, os Saloios, os Peixeiros, as Lavadeiras, elas parecem corresponder a uma intencionalidade semelhante, ainda que, subjacente à sua criação, esteja outra mentalidade ou, talvez, uma forma própria de olhar as idiossincrasias nacionais. A intuição de que existe um quase denominador comum entre as duas produções, parece atravessar o próprio coleccionador, encontrando eco noutro conjunto, a sua colecção de faiança das Caldas da Rainha. Entre as peças que a integram conta-se uma Lavadeira Saloia, que, tal como as Majas malaguenhas procuram corresponder a um arquétipo da mulher espanhola, alegre, vaidosa, orgulhosa, a figura das Caldas da Rainha pretende exprimir alguns dos aspectos que, acreditava-se, caracterizam a mulher portuguesa, humilde, submissa, discreta. Esse gosto pela caracterização dos aspectos que definem o que, por vezes, classificamos com algum preconceito o folclore de uma cultura, encontra-se latente nesta exposição, pela inclusão de figuras de outras regiões não só de Espanha, mas também de Itália e de França.500 BAILARINOS DE BOLERO inv o8 a e bA observação de esculturas representando figuras típicas ou hábitos específicos de cada região permite um diálogo fundamental entre os diferentes intervenientes, aspectos diversos da sua memória popular. Apesar de poder parecer pouco significativa, esta é uma visão fundamental associada aos objectos ditos tradicionais, ou pelo menos que se assumem corno tal: a capacidade de transmitir ideias ou aspectos que valorizamos na nossa cultura e que procuramos que os outros reconheçam e respeitem, pois através deles poderemos compreender melhor o que caracteriza cada grupo. Qualquer que seja o local de origem, estamos perante objectos que têm subjacente à sua criação um olhar erudito, apesar de sermos tentados, pelos temas propostos, a considerá-los de manufactura popular. Isto é claro através do importante levantamento documental que assinala a formação artística dos executantes das figuras malaguenhas, demonstrando que, ao contrário do que poderíamos ser levados a crer, elas não provêm de oficinas artesanais, no sentido comum do conceito. Elas nascem das mãos de escultores com formação, alguns deles Mestres que leccionaram em Academias e Escolas de Arte, tendo sido criadas para satisfazer uma curiosidade de costumes e práticas tradicionais num registo que, hoje, seria considerado turístico. São peças que oscilam, em termos de categorização, entre a Arte e o Artesanato, produtos adequados à mentalidade romântica de povos, como o britânico — onde se encontram em grande número de colecções —, que buscavam os aspectos exóticos e folclóricos das culturas mediterrânicas como a Espanha, a Itália e a Grécia. Este registo de produção com aspectos essencialmente ligados à tourada, aos contrabandistas, às danças tradicionais, enaltecia valores de coragem, paixão e orgulho que se associavam ao povo espanhol. Dentro desta caracterização, particularmente interessantes, e certamente apetecíveis para os visitantes estrangeiros, seriam figuras como as que englobam, nesta exposição o núcleo "Tauromaquia", o "Guitarrista" e os "Dançarinos de bolero", os "Salteadores" ou os "Cavaleiros".

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A preocupação que atravessa a Europa do século xix, em registar os trajes tradicionais e os ofícios de cada país, nasce de uma perspectiva em sintetizar, através destes aspectos considerados básicos em cada cultura, as estruturas arquetípicas de cada realidade nacional. São numerosas as gravuras, de maior ou menor qualidade, que registam figuras típicas exercendo o seu mester sendo, em alguns casos, empregues como fonte iconográfica, nomeadamente na escultura. Este gosto do documentar especificidades culturais pela gravura, tem as suas raízes ainda na segunda metade do século XVI, em que os primeiros livros impressos empregando esta temática representavam as indumentárias de muitas partes do mundo conhecido. No entanto, estes livros privilegiavam nas suas reproduções as indumentárias da nobreza, enfatizando, por vezes, aspectos exóticos, nem sempre precisos, baseados em relatos ou depoimentos fantasiosos de outros autores.

Se nos séculos XVI e XVII a recolha de imagens de hábitos e indumentárias permitiu a, criação de um léxico visual que facultava aos artistas, essencialmente aos pintores, ilustrar as suas visões de outros povos e culturas, no século XVIII essas gravuras deram expressão a outras manifestações artísticas estando na base de uma nova linguagem, de um universo liliputiano de personagens divulgadas através de porcelanas produzidas nas principais fábricas europeias de então (Meissen, Frankenthal, Capodimonte, Buen Retiro). Para além de intuitos decorativos evidentes, estas figuras constituíam, simultaneamente, elementos de séries temáticas que, sendo independentes, articulam-se com os restantes elementos do conjunto podendo ser empregues na ornamentação de mesas de festa ou mesmo adornando os alimentos servidos nestas refeições. As peças espanholas surgem numa fase posterior, em que a mesa deixa de integrar esculturas com vista a representações cenográficas específicas ou com uma função iconológica Elas não se enquadram nesta categoria de "utilidades", começando por ser, unicamente, um registo, a memória de uma viagem, tornando-se, depois, documentos de um período e costumes que a industrialização nascente começava a distanciar no tempo histórico.

Num mundo em constante mutação, assume-se como essencial a fruição destes objectos cuja manufactura, mais ou menos tradicional, patenteia a criatividade do seu executante, e se traduz, em termos colectivos, enquanto expressão própria de um povo. No mesmo sentido, a afirmação de especificidades culturais deve passar pelo conhecimento aprofundado das mais variadas manifestações artísticas, neste caso a escultura em terracota, talvez uma das mais genuínas expressões documentais da cultura e gosto tradicionais. A mostra pública de uma importante colecção portuguesa de esculturas em barro cozido malaguenhas é, assim, também uma chamada de atenção para a necessidade de em Portugal se aprofundar o estudo da tradição das terracotas, peças que no passado tiveram uma importância que nem sempre encontra, hoje'em dia, correspondência na nossa memória.

 

ALEXANDRE NOBRE PAIS
in Barros Malagueños: Colecção Duarte Pinto Coelho

 

 

 

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 casa | DUARTE PINTO COELHO


ENTRADA LIVRE
 
De terça a sexta das 10h às 17h
sábados e domingos das 12h às 17h
 
Antiga Casa dos Guardas do Museu Condes Castro Guimarães,
Av. Rei Humberto II de Itália, 2750 Cascais

 

 

 

 

Duarte Pinto Coelho


CASCALENSE DE ELEIÇÃO, 1923-2010

 

Duarte Maria Egas de Avillez Pinto Coelho nasceu em Cascais. Estudou Direito com a intenção de enveredar por uma carreira diplomática, mas depois de passar larga temporada em Paris, no pós-guerra, seria em Madrid, onde chegou no ano de 1955, que ganharia reputação de decorador de nomeada.

Não obstante ter encontrado em Espanha o acolhimento que lhe permitiu uma grande trajectória profissional como decorador do Património Nacional de Espanha, jamais esqueceu o lugar onde nasceu.

Além da sua actividade principal, encontrou no coleccionismo o segredo para dar asas à vocação que até ao fim preencheu a sua curiosidade intelectual, podendo dizer-se ter sido nesta vertente que a ligação à terra-mãe mais exuberantemente se manifestou.

As colecções Loiça das Caldas, Barros Malaguenhos, Vidros da China e Vulcões Napolitanos ficarão sucessivamente disponíveis para visita na primeira fase do funcionamento da Casa Duarte Pinto Coelho.

 

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