Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
Início Outros Percursos JORNADA CULTURA E TURISMO

JORNADA CULTURA E TURISMO

2 de Novembro de 2012 - Auditório do Centro cultural de Cascais
 
TURISMO E CULTURA 750x250
 
 
Jornada organizada pela Fundação D. Luís I, com participação de:

 

Vasco Pinto Leite - O Estado da Cultura em Portugal;

Maximiano Gonçalves - O Objectivo Cultural e a sua Comunicação;

Duarte Nobre Guedes - Turismo em Cascais: Os ùltimos 10 anos;

Licínio Cunha - Turismo e Cultura, com espaço aberto ao debate.

 

 
P1280728 333x500 P1280795 333x500  
       
 
Comunicação Dr. Carlos Carreiras 
 
Sr. Administrador da Fundação D. Luís I, Professor Salvato Telles de Menezes,
Senhores organizadores das Jornadas de Turismo e Cultura, Senhoras e senhores convidados,

Queria começar por felicitar a organização destas jornadas que trazem a Cascais, mais uma vez, um debate relevante e dentro do qual temos sempre assumido nesta Câmara Municipal uma postura pró-ativa e liderante, assumidamente ambiciosa. A esse propósito, não queria deixar de, na pessoa do Professor Salvato Teles de Menezes, reconhecer publicamente o extraordinário e importante trabalho da Fundação D. Luís I. Trabalho em prol da promoção e da defesa da cultura, de Cascais para o mundo.

Quanto ao tema deste debate permitam-me que partilhe convosco uma reflexão. Uma reflexão tão despretensiosa, quanto a minha formação de gestão, contábil e quantitativa, me obriga e permite. Ainda assim uma reflexão intelectualmente honesta e assente em profundas convicções. Como tal uma reflexão de suporte à ação. Uma reflexão sobre cultura, primeiro, turismo depois, para no fim fazer a ponte entre estes dois setores intimamente ligados.Quanto à cultura, direi que operamos num contexto simultaneamente de grande adversidade e de grande oportunidade. O paradoxo é fácil de explicar: a cultura portuguesa, bem como todas as outras para ser rigoroso, sofrem uma tremenda pressão de uma certa cultura transnacional dominante. Pensemos por momentos numa marca global, na Starbucks, um exemplo trivial.

Quando todos os dias milhões de pessoas à volta do planeta bebem exatamente o mesmo café, em chávenas iguais, numa qualquer loja que se mantém indiferente perante as variações de cultura ou geografia, é legítimo perguntar: estará a globalização a obrigar o mundo a caminhar no sentido de uma cultura global? E será a cultura dominante uma inevitabilidade? Ou caminharemos antes para uma maior heterogeneidade que impossibilitará a cooperação?

Eu acredito que a resposta a estas questões será encontrada ao nosso nível – ao nível local. E é precisamente aqui que entramos no campo das oportunidades. E porquê? Porque eu acredito que a globalização e o localismo, homogeneidade e identidade, são as duas faces da mesma moeda. Isto é: à medida que as forças da globalização geraram uniformidade – a chamada cultura de massas – potenciam simultaneamente e pelo oposto, o gosto individual pelas diferenças, pelas experiências únicas assentes em identidades e contextos específicos. E nada mais exprime de forma tão sublime a nossa diferença e a nossa identidade do que a nossa cultura, a nossa cultura nacional, regional ou local. Mas a este ponto voltarei mais à frente. Para já, digo apenas que eu acredito no potencial da cultura, da cultura trabalhada do local para o global. E acredito particularmente no potencial da cultura portuguesa.Fundamentalmente por três ordens de razão. A primeira, é que a influência e a presença da cultura portuguesa é um ativo geopolítico sem força equivalente. Ativo para o qual temos estado de olhos praticamente fechados. Não nos vemos assim, mas os portugueses foram globalizadores de identidade e como tal, globalizadores e difusores de cultura. Numa altura em que tanto falamos de competitividade e da necessidade de aumentar as nossas exportações, olhemos para o produto que mais exportámos para todo o mundo, do extremo Oriente aos confins das Américas: a cultura e o património. A segunda razão, e ligada à anterior, que temos tido em Portugal uma política errada sobre o património. Quanto a essa política, e em particular às decisões sobre o nosso património edificado, diria que os decisores se dividem em três classes: muitos políticos decidem mal e definem mal as prioridades; outros, simplesmente não decidem porque têm medo de fazer; e há ainda outros conseguem a proeza de decidir sem estragar, mas também sem acrescentar. Eu entendo que não nos podemos dar ao luxo de tratar todo o património como se este estivesse destinado a ser museu. A tarefa de "refazer" as cidades de acordo com as exigências do futuro é incompatível com esta ideia de cristalização. Pelo contrário, obriga a que se promovam novos usos e novas funções para antigos patrimónios antigos.

E aqui, entroncamos na terceira razão: a regeneração, recuperação e requalificação das cidades através da cultura é um ativo económico e social, seguro e de alta rentabilidade, assim como promotor de coesão social. Precisamos de cidades que sejam feitas para as pessoas e por pessoas. Precisamos, para isso, de núcleos culturais e patrimoniais vivos. Apenas este exercício é gerador de milhões de euros para a economia e indutor de milhares oportunidades. É nisso que estamos a trabalhar em Cascais com a definição de um agressivo programa de marketing territorial que vai, entre outras coisas, desenhar um perímetro cultural em toda a zona em que nos encontramos: do Parque Marechal Carmona, aos Museus, passando pelo casco velho da Vila até à Baia. Pretendemos desenvolver este conceito de perímetro a outras zonas do nosso território, imaginemos a riqueza do património imaterial do perímetro cultural do Monte Estoril e Estoril. Trabalhamos também para fixar em Cascais o talento disponível apostando fortemente na forte aposta nas indústrias criativas. E, claro, não descuramos a recuperação do nosso património edificado na tarefa de promoção da nossa cultura.

Minhas senhoras e meus senhores,

Até aqui falei de Cultura. E na verdade, falei também de Turismo. Porque a cultura e o turismo, embora não sejam setores mutuamente exclusivos, seguem caminhos aparentemente paralelos mas que se cruzam e interligam no nosso concelho. Como disse acima, se a cultura é um campo de oportunidades por explorar, é-o também pela relação que mantém com a atividade turística. Encerramos, em 2012, as comemorações do Centenário do Turismo em Portugal. E se foi aqui, em Cascais, no Estoril, que começou a ser contada a história do turismo em Portugal, por aqui continua a passar certamente o presente e o futuro do turismo. A minha confiança relativamente a esta afirmação prende-se com a constatação do seguinte: Cascais ainda é aquilo que sempre foi: uma referência, um objetivo. Um modo de vida. Uma aspiração e inspiração.

É-o por duas razões, a meu ver, fundamentais e que mais uma vez nos remetem para a nossa discussão.

Em primeiro lugar, por aquilo a que designaria o "elemento físico". Por sorte da lotaria natural, o concelho combina de forma quase perfeita a serra e o mar; o património natural e o património edificado. Para a maioria das cidades e vilas do mundo, só isto seria suficiente para ser uma referência. Mas para Cascais não é. E não é, pela influência de fatores irreplicáveis. Fatores que não se exportam nem se aprendem. E aqui entro no segundo fator: o "elemento transcendental".

É verdade que Cascais se afirmou pelas suas praias, pelos seus parques naturais e pelos seus palácios. Mas afirmou-se no mundo sobretudo pelas suas gentes e pelas historias que essas gentes viveram e escreveram. Gentes que sabem e gostam de receber. Que sabem acolher povos das mais distintas proveniências. Gentes que levam a que, nestas margens do Atlântico, se respire uma atmosfera de liberdade e de tolerância incomum, como bem prova a história da segunda metade do século XX. Foram estes dois elementos indissociáveis – o físico e o transcendental - que estiveram ao serviço da construção de duas marcas que são globais: Cascais e Estoril. Impunha-se, por isso, que os decisores políticos soubessem, a cada momento, tirar o melhor destas irreplicáveis condições de partida. Um olhar para o passado não muito distante mostra-nos o potencial devastador de políticas de massificação que desprezaram a cultura, o património natural e a qualidade de vida. Políticas com custos elevados para a atratividade turística e empresarial e que tiveram reflexos nas cadeias de valor e na destruição de postos de trabalho. A nós, decisores políticos, cabe apenas um papel de definição estratégica que potencie o que de melhor temos. Foi isso que fizemos, numa primeira fase, preservando o nosso património edificado, estimulando as nossas experiências, protegendo o nosso Mar e o nosso Parque Natural. Garantido isto, para num segundo momento, partimos para a promoção interna e externa das marcas Cascais e Estoril captando grandes eventos. Eventos que (re)posicionam o concelho no mapa turístico global.

Mais: criamos condições para criar mais emprego e mais valor.

A nossa estratégia é corroborada pela realidade. Números do turismo mostram que 2011 foi tão só um dos melhores anos do turismo em Cascais. Viramos, em 2011, uma barreira psicológica, voltando aos níveis pré-crise financeira de 2007. Dados preliminares de 2012, mostram que acentuámos, reforçámos e acelerámos a curva de resultados positivos. No ano mais violento da crise, este é um resultado da maior relevância. É da maior relevância porque prova que a nossa estratégia vai no sentido certo. É da maior relevância porque gera emprego, gera valor, gera prosperidade. E gera tudo isto não apenas dentro do setor turístico, mas na economia local e regional como um todo. Minhas senhoras e meus senhores, Quanto ao futuro da cultura e do turismo, digo-vos que os números provam que falamos de dois dos setores mais resilientes à crise. Como referi no início da minha intervenção, nada é mais atrativo para um consumidor do que um produto original, distintivo, intemporal. Por isso, em Cascais temos de continuar a seguir o mesmo caminho: ser competitivos sem nos massificarmos. Porque é precisamente a nossa diferença, a nossa identidade, o nosso património material e imaterial.... É tudo isto que nos faz ganhar o verdadeiro campeonato da atração - e aqui não falo apenas de turistas: falo de atração de investimento estrangeiro e do talento internacional. Falo-vos da forma como respondemos assertivamente aos efeitos da globalização.

A nossa resposta é simples nos princípios:

À uniformidade, nós respondemos com diferenciação. À massificação, nós respondemos com distinção. Á vulgarização, temos de responder com o extraordinário e com a excelência. Este é o verdadeiro desafio. À globalização nós respondemos com a glocalização. Não, não julguem que me enganei. Também não é um problema de dicção. A resposta à globalização é a glocalização: trocar o B, pelo C. A simplicidade semântica encerra um universo de diferenças conceptuais. É a diferença de sermos capazes de arriscar apostar na diferença (passo o pleonasmo). Apostar na diferença significa reforçar os valores que formam a nossa identidade e a nossa cultura. E quanto mais vincarmos essa diferença, mais seremos capazes de gerar atratividade, e gerando atratividade somos mais competitivos. Competitivos ao ponto de, como nos orientam os pensamentos de Richard Flórida ou mesmo Alvin Toffler, não sermos apenas mais um jogador na competição mas de sermos nós a criar os próprios termos da competição. É este reconhecimento da diferença e reforço dessa diferença, que vai dar início a um círculo virtuoso em que diferença gera valor, valor alimenta o crescimento, crescimento gera riqueza e riqueza cria postos de trabalho. Acredito, sinceramente, que pela nossa natureza e pela nossa história somos dos povos mais capazes de se afirmarem neste novo movimento que é a Glocalização. Glocalização que, aplicada aos temas que hoje aqui irão debater, encontra as pontes de união nas indústrias criativas e culturais, bem como na captação, fixação e desenvolvimento de um ambiente de talento e de criatividade capaz de potenciar este verdadeiro motor económico e de crescimento.

Como é que pomos a glocalização em prática?

Como disse atrás, uma das alavancas é fazer da regeneração e reinvenção da urbe uma prioridade. Falo de regeneração e não de reconstrução e falo de reinvenção e não de revolução porque temos de ser muito cuidadosos na abordagem à reforma das nossas cidades. Essa cautela tem na sua base o absoluto dever de respeito pelo património edificado, pelo desenvolvimento do nosso património imaterial e pela salvaguarda do nosso património natural.Materializar a glocalização, é não regatear responsabilidades e é chamar ao nosso nível de decisão – ao nível mais próximo de decisão – políticas que estão na alçada do estado central como a educação, a saúde e a segurança. Pilares do desenvolvimento económico que, em Cascais, nós não abdicamos de influenciar. Pela simples razão que as pessoas são sempre da nossa responsabilidade. E se as pessoas são sempre a nossa responsabilidade, queremos ter os meios e a capacidade de ser donos do nosso destino.

Outra forma de materializar a glocalização, passa pela inevitável captação de capital humano: atraindo academias de saber, academias de pensar, academias de inovar, academias de criar. Atrair a força e a irreverência da juventude mas também seduzir os jovens há mais tempo. Aqueles que nos trazem a experiência do fazer, a experiência no conhecimento, a experiência consolidada pelo tempo vivido e pelas relações que esse tempo proporcionou.

Aplicando outra terminologia, captar capital humano é promovermos produtores e consumidores. A materialização da glocalização, mais do que um processo, é um movimento em curso que pressupõe revoluções, agora sim, revoluções, mas revoluções culturais, comportamentais e sociais. Uma revolução nos ensine a lidar com o risco, que elimine a aversão pelo falhanço. Uma revolução que estimule a aventura, a descoberta e a imaginação. Uma revolução que acabe com o medo e com todas as suas expressões. Uma revolução de postura, de perceção de nós próprios e do posicionamento de Portugal na Europa e no mundo. E neste ponto, temos de dizer bem alto que somos europeus. Temos de dizer bem alto que se somos todos europeus, não pode haver uns europeus mais europeus do que outros. Até porque nós, portugueses, já demos - e vamos continuar a dar - mais à Europa do que outros algum dia poderão sequer sonhar. Logo para começar, demos a Europa a conhecer ao mundo e demos o mundo a conhecer à europa.

Abro um pequeno parênteses para referir que é obrigatório reafirmarmos a nossa vocação de povo oceânico ao mesmo tempo que mostramos à Europa o extraordinário potencial de dois importantes patrimónios que temos no nosso horizonte de futuro: o Mar e a Língua.

Caras e caros amigos,

A terminar, partilho convosco uma forte convicção que tenho. A cultura e o turismo são duas potentes armas para ganhar a revolução de que atrás vos acabo de falar. Esta é uma batalha tão difícil como desafiadora. Queremos e contamos com os contributos de todos. Convidamos e convocamos todos para, com Cascais e por Cascais, ter o sublime privilégio de fazer parte desta mudança, arrisco mais ainda, de construir a mudança.

Sejam pois e uma vez mais muito bem-vindos e sintam-se na vossa casa para contribuir para mais e melhores ideias para a cultura e para o turismo em Cascais e no nosso país, Portugal.

Obrigado!

 
P1280712 350x233 P1280842 350x233
P1280774 350x233 P1280852 350x233
 
 
Programa Cultura Turismo 750x531 copy
 
 

Agenda

<<  Dezembro 2019  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
        1
  2  3  4  5  6  7  8
  9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031