Frontpage Slideshow (version 2.0.0) - Copyright © 2006-2008 by JoomlaWorks
Início Exposições Exposições Anteriores LANDART 2016 - 7ª Edição
LANDART 2016 - 7ª Edição

LANDART tela  750x250

 

 

 

 

 

 

LANDART 2016

 

 

O final da década de 60 do século XX testemunhou uma das mais importantes revoluções artísticas de que há memória. Por um lado, assistia-se ao fim da modernidade, essa ideologia eufórica, optimista e ambiciosa que previa no futuro próximo a resolução de todos os problemas económicos, sociais, políticos, ambientais e culturais. Por outro, com a instauração da Guerra Fria e a sobrevivência de diversos regimes ditatoriais pelo mundo, intuía-se que talvez o futuro próximo não fosse tão risonho como isso. E questionava-se a validade dos modelos artísticos que tinham vigorado até essa altura.

É neste contexto que surge a landart, que não foi exactamente um movimento organizado, mas sim uma denominação para o trabalho que um certo número de artistas estava então a desenvolver, e que possuía em comum o êxodo do espaço rarefeito e elitista da galeria e do museu para a paisagem natural. Dialogando especificamente com a natureza, interrogando ora os sinais deixados pelo homem quando interage com ela, ora a possibilidade da inserção da obra de arte numa situação que não é controlada habitualmente pelos agentes artísticos, estes criadores, entre os quais se destacaram Robert Smithson, Richard Long, Hamish Fulton, Christo ou Alberto Carneiro, deixaram-nos uma obra consistente, original e de qualidade notável que cumpria exactamente, e até ultrapassava, os objectivos que se tinha proposto.

Desde 2009 que a Fundação D. Luís I tem organizado a Landart Cascais que, não se instituindo como uma exposição na descendência directa dessas longínquas acções da segunda metade do século XX, pretende apropriar-se e reflectir sobre a pertinência da inclusão de obras de arte contemporâneas no contexto de um parque natural. Na Quinta do Pisão, um espaço dedicado à preservação e usufruto da paisagem em condições excepcionais, um número restrito de artistas de hoje tem vindo a apresentar periodicamente obras site specific, realizadas propositadamente para este evento. A partir deste ano, essas obras encontrarão aqui o seu lugar permanente até que, pela acção do meio e dos elementos, esgotem naturalmente o seu ciclo de vida próprio.

Os artistas convidados para a edição de 2016 representam, como já tem sido prática desde o início, diferentes gerações e modos de abordar o conceito de paisagem.

 

 

 1P2A4241 750x421
©Valter Vinagre
 

Bruno Cidra, por exemplo, apresenta uma obra composta por diversos elementos que, no topo norte do parque, pontua a paisagem arborizada de forma quase imperceptível. Estruturas verticais e horizontais muito finas, feitas de camadas sobrepostas de papel e ferro, duplicam as duas linhas fundadoras da paisagem – a recta do horizonte e a vertical da árvore –, ao mesmo tempo que parecem negar, na sua fragilidade, a permanência e a própria possibilidade desse paradigma ocidental. Exigindo do espectador uma visita atenta, demorada, capaz de descobrir no meio do denso manto vegetal o fragmento intruso da obra artística, estabelece também uma ponte evidente com a própria fundação imemorial da escultura, que se fez na paisagem, no momento em que um homem quis erguer uma pedra, e depois um círculo de pedras, convocadores da fertilidade incessantemente renovada.

 
1P2A4288 750x421
©Valter Vinagre
 

Edgar Massul, por seu lado, partiu de uma interrogação célebre que o artista da Arte Povera italiana Mario Merz colocou ao mundo da arte em 1968 através de uma obra específica. "Che Fare?", uma pergunta que na época era sobretudo política, mantém hoje toda a sua pertinência, e as peças que materializam a sua intervenção na zona do Refilão provocam a reflexão sobre a utilidade da arte numa época em que a vida parece cada vez mais frágil. Uma torre de vigia feitas de frágeis ramos de uma espécie invasora no parque natural, um caminho branco que une a zona que mantém bem nítidos os sinais da ocupação humana e uma das lagoas, hoje usada sobretudo pelos animais que aqui procuram água e repouso, e um barco nitidamente em fim de vida, convocador de migrações actuais que são elas próprias, de certo modo, o caminho possível da sobrevivência, actualizam em grande escala o trabalho de um artista que, sendo o mais experiente deste grupo, tem mantido em toda a sua obra a ligação ao mundo da natureza que o Landart Cascais pretende concretizar.

 
1P2A4367 750x422
©Valter Vinagre
 

Mariana Dias Coutinho, por fim, escolheu um dos antigos fornos de cal para convocar o antigo mito de Prometeu, o titã que roubou o fogo aos deuses para o dar aos homens. A instalação que concebeu, aqui dividida em dois momentos, desdobra a figura mitológica num exército de pequenos seres de grés branco e mármore que, como é próprio de todos os mitos, sugerem uma narrativa que encontra paralelismos também noutras lendas, sobretudo as que traduzem a todas as inquietações que antigos civilizações agrárias sempre mantiveram relativamente ao renovar das estações do ano. Através da entrada deste exército de pequenos seres, que não deixa de lembrar a obra de Allan McCollum e certas imagens do cinema de Fritz Lang, Mariana Dias Coutinho traz para o espaço que escolheu longínquas memórias de um trabalho que aqui se fez – o fabrico de cal - que, por ser artesanal, não implicou menos a existência de um árduo ciclo de produção pré-industrial. Ao contrário do que se passa nesse processo, e ao contrário também do que sucede no mito de Prometeu, as personagens da sua obra não se dirigem para o fogo, mas para a terra e a água, que são os elementos que existem hoje na ruína do antigo forno. Neste sentido, a artista assume a atitude muito contemporânea de constatação da incongruência da escrita da História.

E, no fundo, este será o sentido comum que encontramos no trabalho destes três artistas.

 
Luísa Soares de Oliveira
Curadora

 

 

 

 

 BRUNO CIDRA 

 

   
1P2A4235 480x600
©Valter Vinagre
 

Bruno Cidra (Lisboa, 1982), vive e trabalha em Lisboa. O trabalho de Bruno Cidra assenta na relação de afinidade entre desenho e escultura enquanto forma de reconfiguração do espaço arquitectónico, investindo no espectador o papel operante de novas leituras do espaço. Este diálogo disciplinar, de linguagens e materiais, faz operar campos de força e equilíbrio, explorando valores antagónicos como resistência e fragilidade, peso e leveza, perenidade e efemeridade. Licenciado em Artes plásticas – Escultura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, expõe com regularidade desde 2006. Destacam-se as exposições individuais: MEXICANO, Galeria Baginski, Lisboa (2016); Cortina, Quadrum, Lisboa (2015); Flecha, Galeria Baginski, Lisboa; Corda, Galeria Nuno Centeno, Porto (2012); 8 Esculturas, Galeria Baginski (2009). Entre as exposições colectivas em que participou destacam-se: Canal Caveira, Cordoaria Nacional, Lisboa (2015-16); Cidra Da Luz Escoval Manso Mendes Romão Sena, AR Sólido, Lisboa (2015); Drawing the World, com curadoria de Delfim Sardo, Filipa Oliveira, e Moacir dos Anjos, Est Art Fair 14, Estoril; Truth and the void between realities, Galeria Baginski, Lisboa, curadoria de Markéta Stará Condeixa (2014); As coisas que aparecem, curadoria de Antónia Gaeta Biblioteca Joanina, Coimbra; Crystal Frontier, com Ana Manso, enBlanco Projektraum, Berlim (2012):

Como proteger-se do tigre, XVI Bienal de Cerveira, curadoria de Luís Silva e João Mourão, Kunsthalle Lissabon (2011); Prémio EDP Novos Artistas, curadoria de João Pinharanda, Delfim Sardo e Nuno Crespo, Museu da Electricidade, Lisboa; Afterthought, Irmaveplab, Reims, France, curadoria by Anja Isabel Schneider (2008). Em 2014 foi o seleccionado pela Câmara Municipal de Lisboa para a Bolsa de Intercâmbio Artístico Lisboa-Budapeste, Budapeste, Hungria. Em 2013 foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian para residência artística na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) em São Paulo, Brasil. Em 2009 foi finalista do Prémio EDP Novos Artistas no Museu da Electricidade, Lisboa, tendo em 2005 sido vencedor do Prémio de Escultura D. Fernando II, Sintra. O seu trabalho encontra-se representado em diversas colecções públicas e privadas, destacando-se a Colecção António Cachola, Elvas; Colecção da Fundação EDP, Lisboa; Colecção Teixeira de Freitas, Lisboa; Colecção de Arte Contemporânea do Ar.Co, Lisboa; Colecção da Câmara Municipal de Sintra, entre outras.

 

   
 
 

 EDGAR MASSUL 

 

   

1P2A4325 600

©Valter Vinagre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edgar Massul nasceu em Sintra em 1963, vive e trabalha em Lisboa.Estudou na Escola António Arroio / atelier livre, na S.N.B.A. e no Ar.Co. Realiza exposições individuais desde 1986, sua produção engloba uma grande variedade de meios: pintura, desenho, escultura, objectos, fotografia, video, instalações e projectos site specific. Entre a impermanência da matéria orgânica e a permanência da memória das coisas, o seu trabalho dialoga com a arte mais contemporânea e com a natureza ancestral. Recentemente o seu trabalho têm sido exibido em diversos espaços, de onde se destacam: Anozero Bienal de Coimbra, galeria Giefarte, galeria Trem, Whitechapel gallery.

 
  

 MARIANA DIAS COUTINHO 

 

   

1P2A4374 480x600 copy

©Valter Vinagre

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mariana Dias Coutinho (1978) vive e trabalha em Lisboa. Cursou Desenho e Pintura no Ar.Co (2010/2011) e é licenciada em Conservação e Restauro de Mobiliário pela Universidade Nova de Lisboa. Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro e tornou-se um dos rostos da cidade, com intervenções urbanas como "Desassossego" (Rua do Alecrim, Lisboa), "Passeio Literário da Graça" (Arco e Travessa do Monte, Lisboa) ou no Lx Factory, entre muitas outras. Desenvolveu trabalhos como "I´m neither here nor there", Casino Lisboa (2016), "Sonho muito, durmo pouco", Fundação PT, Lisboa (2015), "Vaga Luz", Casa-Museu Medeiros e Almeida, Lisboa (2015), "o passeio, a escuta e o respirar da acção", Espaço Mira, Porto, PORTUGAL(2015) e "Line Stories", Rolling Stock, London, UK (2014).

     
     

Como chegar à Quinta do Pisão 750 copy

 

  • Vindo de Lisboa, pela Av. Marginal (N6) ou A5 (saída 12), deve seguir em direção à Malveira da Serra, pela N9-1. Na Malveira da Serra siga as indicações de Lagoa Azul. Após 4 km pela Est. da Serra encontrará à direita a entrada principal da Quinta do Pisão.
  • Vindo de Sintra ou do IC19, no Arco Ramalhão deve seguir as indicações de Cascais\Estoril, tomando a N9 durante 2,7 km. Vire à direita aquando da indicação de Lagoa Azul. Siga pela Est. da Serra durante 3,5 km, passando a Lagoa Azul, e encontrará à sua esquerda a entrada principal da Quinta do Pisão.

 

 

Agenda

<<  Setembro 2019  >>
 Se  Te  Qu  Qu  Se  Sá  Do 
        1
  2  3  4  5  6  7  8
  9101112131415
16171819202122
23242526272829
30